LifestyleEditorial
Decoração, Mi Casa Su Casa
12 ago 2018, 38 comentários

Mi casa, su casa Japonês: Tá Karo.

Fufu pinguins, tudo gelado por ai?
Eu estou oficialmente em período de hibernação, avisem os boletos que só vou pagar os que me mantém aquecido, como o da companhia elétrica que provém chuveiro quente e aquecedor idem.


Muita gente ainda replica a frase : “Contratar um profissional para construir, reformar e decorar custa muito caro”.

Não é exatamente assim.

O projeto costuma representar entre 3 e 5% do gasto global de uma construção. E quando analisamos e contabilizamos o tempo de obra otimizado, e o uso e compra adequado de material o investimento desta contratação acaba se tornando uma manobra inteligente.
Por exemplo, um pedreiro/mestre de obras (dos bons) sabe o que é necessário para construir uma casa. Mas ele tem esse entendimento por vivência, e provavelmente irá “exagerar” na quantidade de ferragens, gastar mais em fundações…
Possivelmente não terá consciência sobre eficiência energética, fluxograma, organograma, setorização…
E é neste momento que o gasto com correções ou com recursos para contornar problemas gerados por falta de planejamento são, além de dispensas monetárias, também custos de estresse, frustrações e desconforto.


Um projeto arquitetônico bem pensado diminui substancialmente gastos de energia elétrica, explorando iluminação natural e estudos de insolação e ventos. Óbvio que nos dias de hoje com as prefeituras loucas atrás de dinheiro ninguém consegue eregir uma casa sem ter a obra embargada e pagar muitas multas, por isso, contrate sempre que for construir ou reformar um profissional de arquitetura e engenharia.
Partindo para a atuação de um profissional de design de interiores, que não é obrigatória, porém faz diferença no resultado, temos vantagens financeiras pois é muito fácil cair nas armadilhas de escolher – sem necessidade – o item mais caro de todos. Esse post não é para as pessoas que estão no nível da Kim Rabãodashiam, porque pra ela, dane-se a etiqueta. Mas você que faz seu dinheiro valer, continua comigo.

Eu tenho acompanhado um rapaz muito talentoso (em comédia) e essa semana ele fez a seguinte publicação:

Contextualizando, ele está morando só pela primeira vez, e descobrindo as dores e delícias das coisas da vyda. Gosto do tipo de humor inteligente dele, sempre relacionado com momentos cotidianos. Sigam o @bubarim que terá umas risadíneas garantidas. Só preciso atentar já previamente as piadas de pum, porque sejamos analíticos, homem hétero adora tudo relacionado a flatulência.

Voltando para cá eu QUASE marquei patroínha e o moRRR dela @futilish.house porque né, eles estão nesse período de investir aqui e ali. Contudo achei melhor falar com todo nundo que lê o blog. Então pega o evernote e #vemkotio descobrir o que é que encarece um projeto.

Aberturas (Janelas/ portas)

Sim, é preciso por na ponta do lápis qual a mais adequada.
Será que precisa MESMO ser do material mais caro? Os mais comuns são ferro, alumínio, pvc, madeira. O valor de um ou outro pode variar de região então só analisando mesmo. Mas por exemplo, você não vai usar ferro no litoral, as o PVC é uma opção também. Numa região mais interiorana, talvez a madeira tenha um valor mais atrativo que o alumínio. Então atentem-se para esse investimento. E também para tamanhos “exclusivos” tudo que foge do padrão, como um vidro com mais de 4 metros de altura, vai ter um valor agregado maior, inclusive pela dificuldade de transporte, seguro e não somente a fabricação em tamanho especial.

Pisos e Revestimentos

As opções de piso são praticamente infinitas. E os preços idem. Minha dica é: defina uma faixa de preço, assim como eu fiz com  Joy 106D. E foque seus esforços em encontrar o piso dos teus sonhos dentro desse espectro.

 Metais de banheiro

Fufu, é inacreditável a discrepância de valores entre as coisinhas de banheiro. E as marcas brasileiras são umas abusadas. O principal item são as torneiras, pelo menos é nelas que focamos na hora da compra. Se ela é bonita, se tem uma “pegada” boa, se é fácil de abrir e fechar com a mão molhada, se tem aerador, se tem a altura que a cuba precisa que tenha. Aí quando tudo isso está unido em um só produto, custa R$ 690,00 – tô falando sério – Seiscentos e absurdos noventa reais. Geralmente 700 conto é o que a gente quer pagar no banheiro inteiro. E é nessa hora que a gente sussurra para a vendedora:

Tem uma assim, só que mais em conta? E tem viu, tem uma linda, que eu amo que fica entre R$ 99,00 e R$ 105,00 agora preparem-se para ter ódio no coração comigo:

Sabe a papeleira? Aquele cabide de papel higiênico? O que combina com a torneira de R$ 99,00 custa R$239,00. Exatamente, eles acham que a gente é palhaço. E é nessa hora quando a vendedora disser isso que você vai responder:

“Obrigado, eu uso um suporte de chão.” Nesse momento o leite das crianças da vendedora deixará de ser comprado. Porque a comissão dessa papeleira ela não vai ver. Abusada.

Mobiliário

Vishe! É muito fácil encarecer um projeto de móveis. Obviamente tem diferenças de fornecedores, de acabamentos e etc.

Contudo quero falar do que encarece independente de ser numa marca popular ou em uma de alto padrão. E sim, tem como diminuir custo no mesmo projeto, no mesmo fornecedor.

Ferragens encarecem MUITO o valor de um projeto. Eu fiz uma imagem de dois balcões de cozinha com o mesmo tamanho: 2 metros, para ilustrar:

Móvel da esquerda composto por: Pia 80cm – Gaveteiro 40 cm – Gavetões 80cm e o móvel da direita com Pia 100cm – gaveteiro 100cm.

O balcão da esquerda direita, custará aproximadamente R$ 700,00 mais barato em uma boa marcenaria aqui na minha região. Talvez até menos, pois eu só sei o preço das corrediças, não tenho como precificar o valor da mão de obra. Analisando, é perceptível que invés de 4 gavetas e 2 gavetões temos 2 gavetas e 1 gavetão e por isso diminuímos a necessidade de compra de 3 pares de corrediças. é o mesmo espaço, a mesma funcionalidade, a mesma disposição. Só aumentamos os módulos e assim dinamizamos o processo de fabricação, mo tempo de montagem e consequentemente melhoramos o valor do orçamento. Do ponto de vista de uso, a cuba da opção mais barata poderia ser maior, mas eu quis exibir com os mesmos eletros. Perceba também que apesar do espaço no meio ter ficado um pouco menor, ganha-se um espaço no canto, ao lado do cooktop, o que significa que você não vai ralar os cotovelos na hora de virar a panqueca.

Eu sou sempre a favor de modulações mais largas, acho muito mais elegante portas com largura de pelo menos 50cm de largura, Fui treinado para isso numa empresa de alto padrão, mas o mais importante é que se tenha uma composição harmoniosa. Projeto meu a não ser que o cliente exija, jamais terá uma gaveta com menos de 50cm e esse é um item que também faz diferença nos armários de quarto:

São dois armários, bem genéricos, com 220cm de largura divididos padrãozinho: Gavetas, sapateiras, espaços de cabideiros e calceiros.

O da esquerda custará menos. E eu estou falando de R$ 1200,00 só de corrediças. Sem contar que calças em cabideiro baixo, como o modelo da esquerda, acomodam muito mais peças do que o “calceiro” convencional seja ele o de leque ou o extraível. Praticamente o dobro de peças. E tem mais um ganho que talvez você não tenha se atentado:

Tô falando desses 12,4 cm de estrutura necessária para fazer duas fileiras de gavetas/sapateiras é ridículo gastar com o dobro de corrediças e ainda perder praticamente 50cm (12,4 x 4 = 49,6cm) de armazenagem para colocar estrutura dentro de um armário. é praticamente uma gaveta a mais simplesmente por optar fazer ela com a largura toda, e não dividida.

Dae vem as “personal organizer” (uma muito ruim já me disse isso) dizer que é melhor gaveta mais estreita pra dividir as calcinhas, os pijama, as roupas de academia…

PELAMORDEDEUS coloca um divisor interno:

Olha o ganho de espaço! Não me importa se vai dividir internamente com caixa de leite revestida com papel contact, ou com garrafa pet cortada com faca de cozinha. Pensa em economia de dinheiros e ganho de espaço. Ok, combinado?

Eu me revolto quando lembro desse assunto.

Tô atrasadíssimo! esse post já deveria estar no ar faz duas horas, me desculpem.

Você já economizou de algum jeitinho numa questão assim de casa?

Conta pra mim nos comentários.

#Bença!

Lifestyle
Decoração, Fufu Gourmet, Mi Casa Su Casa
05 ago 2018, 38 comentários

Mi Casa, Su Casa – Indução então!

Olá Fufubelezas, tudo bem por aí?

Lá em março/abril eu comentei que tinha adquirido um cooktop de indução e que queria fazer mais testes antes de falar dessa tecnologia. Eis-me aqui, digníssimas.

Antes de tudo, acho pertinente mostrar os 3 modelos deste produto mais comuns no momento e diferenciá-los.

Gás

Bem parecido com os fogões tradicionais, eles são alimentados por gás (GLP ou Natural) e tem a chama de 1 até 5 bocas com diferentes potências.

Reconheceu? Então eles são os mais baratos na hora de adquirir, porém quando se procura modelos com dispositivos de segurança, chama tripla e alta performance, eles se equiparam aos modelos elétricos ou de indução. Se você optar por um produto a gás, ele terá essa “grelha” onde a gente apóia as panelas e uma dica é: verifique a estabilidade delas. A maioria das opções hoje deixam a desejar nesse quesito. Na hora de mexer a polenta e sua panela virar uma integrante da ala das baianas do carnaval do Rio de Janeiro, você vai lembrar de mim. Caso encontre, opte por grelhas robustas como essa:

Elétrico ou Elétrico vitrocerâmico.

Esse é aquele modelo que deu certo, mas não muito. Ele é mais eficiente no controle de calor, tem uma resposta mais rápida e não corre o risco de vazar gás,  porém não é de grande eficiência em prevenção de queimadura – é basicamente uma resistência, como a dos chuveiros, então ele aquece o vidro, que aquece a panela, que cozinha a comida. É bem provável que já tenha visto algum na televisão, ou em filmes. Ele é um vidro que fica vermelhinho:

ou então umas rodelas estranhas:

Como eu estou falando tanto de performance, deixa eu exemplificar quantos minutos são necessários para ferver 2 litros de água em cada um deles:

CookTop Elétrico 15:24

Cooktop a Gás 11:22

Cooktop Indução 8:20

Eu acho fascinante meu café ficar pronto  3 minutos antes. Dá tempo de fazer um miojo com a diferença.

Agora vamos falar do protagonista dessa matéria. Quem é, como são, onde vivem e porque sim ou porque não você deve tentar um…

Cooktop de Indução:

Como esse nenê funciona: Dentro dele tem uns trelelê de cobre, que tem umas bolinhas. Essas bolinhas são magnéticas, muito queridas de materiais tipo ferro, aço inox… então quando você coloca uma panela sobre o vidro e liga ele, acontece uma hola olímpica

…Acontece o quê? Aquela festa louca de quando a gente encontra uma super amiga e coisa e tal. Muita fofoca pra por em dia, muito abraço, grito e risada. Aí o resultado é o que?  Um calor lascado dentro da panela. É um fogo de amor, entende?

Cientificamente eu deveria dizer para aqui que: A eletricidade quando ligada passa através de uma bobina formada por uma peça de cobre que exibe ímãs em sua porção posterior, e esta ação gera a formação de um campo eletromagnético. Quando um recipiente com propriedades ferromagnéticas está junto a este campo magnético, suas moléculas de ferro tem uma reação de movimento rápido algo em torno de 20.000 a 50.000 vezes por segundo, criando fricção, que resulta em calor na panela. É tão incrível que onde não tem panela, não há calor nenhum.

Mas eu achei que a minha versão daquele suador louco de quando a gente encontra as amigas muito mais explicativo.

Deixa eu explicar que nas primeiras tentativas de uso, tudo carbonizou. Realmente o moço da indução é bem forte mesmo.

Eu comprei para testar um modelo portátil, 110V que tem uma beiça só. Era para ser da Eletrolux mas a Casas Bahia fez uma palhaçada comigo, eu dei um piti de consumidor e acabei ganhando um up-grade para um Brastemp:

Meu conselho para a vida: LEIA O MANUAL. Até de algo que você já conhece e costuma usar, LEIA O MANUAL. Sempre aprendemos alguma função nova. Esse modelo compacto que eu tenho me ensinou muita coisa, por exemplo:

  • Não deixar água “empoçada” sobre ele;
  • Não usar panelas menores do que 13cm de diâmetro;
  • Não usar a potência máxima se não for para selar carne ou outras situações específicas;
  • Usar o timer de desligamento;
  • Distâncias necessárias para não superaquecer o “motor”…

Minha mãe no início não curtiu muito. Dizia que a panela ficava “solta”, que escorregava e que era complicado. Porém, mão de vaca como eu que ela é, resolveu no dia 7 de Maio desligar o gás e fazer o teste de um mês. O teste acabou 7 de Junho, já estamos em Agosto e nunca mais o gás foi religado.

Diferente do preparo com chama, os cabos das panelas não ficam quentes. Isso permite que você manuseie tudo com mais tranquilidade. A cozinha não fica quente, os alimentos ficam prontos mais rápido e ela tem se virado muito bem com uma boca só.

Uma questão a ser explicada é que, o cozimento por indução só acontece na panela. O Cooktop e o vidro não se aquecem , em teoria. Na verdade o vidro aquece um pouco, mas é a bundinha da panela que deixa ele quente, não ele que esquenta a panela. E é por isso que é necessário um tipo específico de panela para que a mágica aconteça.

Sempre fui do tipo pobre metido, sabe? Então quando comprei as panelas aqui pra casa – muitos séculos atrás – eu já escolhi um jogo de ryco:

Exatamente esse, com leiteira e escorredor de macarrão. Este segundo levamos para o salão de festas do prédio e esquecemos lá, no dia seguinte ele havia desaparecido. Porque né, pegar algo que não é seu num salão de festas aparentemente não é roubo aqui nesse condomínio. #indignado

Voltando para a parte intrigante: A panela precisa ter o fundo reto e ser ferromagnética, e para descobrir se as suas são, é só pegar aquele imã de geladeira de Porto Seguro e colocar na bunda da sua caçarola. Se grudar, ela serve para indução e você pode ir para a vida moderna sem grandes mudanças nas panelas.

Apesar de ter esse jogo, nos faltava uma frigideira anti aderente que funcionasse na indução. Aí, acabei comprando uma por R$ 199,00 o que eu achei um absurdo. Mas ela é imensa.

Agora indo para a parte mais séria, realmente eu me sinto muito mais seguro não tendo fornecimento de gás em casa. Amo que se você tirar a panela de cima do fogão ele dá 3 apitos e desliga sozinho. Adoro que as coisas ficam prontas mais rapidamente e de forma mais uniforme. Limpar o cooktop mesmo que tenha caído molho ou feito alguma lambança leva segundos. Juro para você que em segundos ele tá limpo. Como não tem chama o que quer que seja que derrame não seca, não queima… só fica ali, esperando uma esponjinha e um pano.

Na relação valor do gás x energia elétrica, a indução ganha por centavos. Mas também depende dessas políticas de bandeiras, porque o mês que eu comparei tava no amarelo, não no verde.

Achei esse tema muito relevante, pois em grande centros, como SP, RJ e outras grandes capitais já existem muitos prédios, desses minúsculos que eu odeio, onde já é proibido o uso de fogões a gás. Até aqui no calcanhar do Brasil já tem algumas obras onde os bombeiros não liberaram o uso de gás.

O que ainda pesa é o valor inicial, pesquisando por preço, o valor inicial de Indução é R$ 1.500,00 e o a gás é R$ 285,00 – pesquisei os modelos de 4 bocas simples – somando as panelas de ryco, sim é um investimento que deve ser programado. Mas que pela segurança de crianças por exemplo, já que a indução tem travas e menos probabilidade de queimaduras EU que nem criança tenho, vou trocar oficialmente para indução.

Caso tenham mais dúvidas, deixa nos comentários que eu respondo.

E um super viva para a patroa que juntô su cepillo! 

Muita felicidade para vocês na jornada nova mi reina.

#Bença!

Lifestyle
Decoração, Mi Casa Su Casa
22 jul 2018, 44 comentários

Mi casa, su casa – Na Parede, Boiserie

Olá Fufulândia!

Semana passada eu estava deprimido com o 2º lugar da Copa, eu torci TANTO para a Croácia… Acabei não aparecendo aqui.

Aí, como vocês sabem, essa coluna reflete fatos acontecidos em minha vida no escritório. E essa semana iniciamos os trabalhos para uma casa em estilo Neo Clássico.

Eis que um item que nos remete ao estilo, são os detalhes na parede chamados Boiserie, pronuncia-se: /bóizerí/, e que algum abilolado brasileiro decidiu que seria traduzido como “apainelamento”

Vamos fazer uma vaquinha para tirar essa pessoa abençoada do fundo do posso, poço. Se não consegue pronunciar Boiserie amigo, chama de moldura. Afinal, nada mais é do que um ornamento na parede formado por umas moldurinhas.

Se você não gosta de história, pule até a próxima linha de asteriscos igual essa daqui debaixo:

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Me considero uma  pessoa curiosa, e não tem nada que eu odeio mais do que informação errada. Esse desserviço a inteligência/cultura humana é algo que me enfurece. Logo, resolvi pesquisar um pouco sobre essa aplicação. Joguei no Google e procurei um link que eu confiasse para ler. Na Wikipedia em português, só tem essa triste e infundada notícia do “Apainelamento”. Segui com alguns blogs de revistas e de profissionais… Basicamente eram todos iguais:

“blá, blá, blá… técnica francesa do século XVIII…”

Só que, xizinho-vêzinho-pauzinho-pauzinho-pauzinho quer dizer século 18. Não obstante, titio aqui assistiu a série Versailles , que conta as treta todas do período de construção deste castelo (tem na Netflix), e lá aprendi que o Rei Louis XIV (o Rei  Sol) mudou a corte francesa de Paris para a aldeia Versalhes e isso aconteceu em mil-seiscentos-e-alguma-coisa…

Bora lá pra wikipedia de novo e descobri que toda a corte mudou-se para lá em 1682. Ou seja, se o castelo que é a “obra prima máxima do boiserie” tava inaugurado no século 17, por que é que essa técnica é do século 18?

Aí fiquei irado de vez e, já que o termo é em francês, tirei meu curso de francês da última gaveta do meu cérebro e fui para Wikipedia neste idioma e:

Nessa primeira frase o meu Français de 2001 enferrujado desde 2014 (quando passei uns dias na França) permite que eu entenda que:

A boiserie é um trabalho de …menuiserie… que recobre a parede interior de uma construção.

Tá, concluímos que chegamos na coisa certa, mas quado ela surgiu?

 

“A primeira boiserie foi encontrada provavelmente do Egito antigo, onde elas eram utilizados pelos faraós para decorar seus palácios. Ao se procurar em estábulos, capelas e de edifícios regionais a origem francesa é encontrada na capela do Châteu de Gaillon, (em uma etapa de construção datada) de 1513… Pelos castelos o uso se prolonga até a Renascença,  como é possível se ver no Castelo de Blois o gabinete da Rainha Marie de Médicis em 1520… A boiserie é amplamente utilizada para decorar os maiores palácios europeus, como Palácio de Versalhes  (França) Palácio Laeken ( Bélgica), Palácio de Buckingham ( Inglaterra), Palácio de Schönbrunn (Áustria) e o Ermitage (Rússia) .

Resumão tosco com tradução minha mesmo.

O importante é que, no século 18 a Boiserie já tinha pelo menos 3 séculos de idade, super juvenil. E eu fiz esse pequeno falatório de quase 500 palavras porque eu passei apenas seis horas lendo sobre isso, e sobre as construções de palácios, sobre os reis Luis XIII, XIV e XV… inclusive, o rei XIV teve 22 filhos! E quem assumiu quando ele morreu aos 76 anos foi o bisneto Luís XV, pois todos os filhos morreram na infância, menos o primogênito que até ficou adulto mas morreu anos antes do pai.

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Então a boiserie tem fama francesa, mas é egípcia e não começou no século 18 coisíssima-nenhuma-da-silva-sauro.

Tradicionalmente feita em painéis inteiros de madeira esculpida, eles tinham além de função estética, as propriedades de ajudar no isolamento térmico. Atualmente criamos desenhos e detalhes que podem ser feitos em madeira, gesso, molduras de pvc e até em poliestireno (isopor). Hoje em dia até usam o termo “falsa boiserie” porque já não é um painel inteiro, só o detalhe adicionado a parede.

Esse tipo de aplicação é uma das formas mais baratas de se decorar uma parede com bom gosto e sem ocupar espaço. Ainda que sua essência seja clássica, ela é facilmente aplicada em outros estilos, que é o que eu gostaria de mostrar aqui.

Em sua forma mais clássica, as paredes recebiam uma cor e depois os detalhes eram realçados com outro tom, especialmente o dourado, para que a opulência da coisa chegasse ao ápice:

Versões mais suaves eram vistas em apartamentos da corte também:

Hoje em dia, a não ser que você more em um lindo apartamento em Paris, a forma mais usual de utilizarmos esse detalhe decorativo é mesclá-lo com itens mais simples, como um mobiliário de linhas mais contemporâneas:

Perceberam que todas as fotos aqui em cima tem a mesma cor de parede e relevo? Ainda que neutras elas criam uma sensação de nobreza aos ambientes. Todos os desenhos acima também exibem um desenho alto na parte superior, e um bem menor na parte inferior. Para mim essa é a expressão mais tradicional da técnica. Quanto as larguras, elas variam muito, é preciso estudar a proporção do ambiente antes de criar o desenho final. Lembre sempre que para dar a impressão de alongar um cômodo precisamos de linhas horizontais, e para deixá-lo mais amplo, é necessário linhas verticais. Se estiver querendo de aventurar, vale a pena comprar uma fita crepe e estudar o desenho no local, colando o formato na parede e observando de vários pontos diferentes.

Para um visual mais moderno e ousado, cores marcantes são a aposta certa.

O grande motivo desse post, foi que essa semana eu estava com a pá virada e não queria fazer “mais uma boiserie” com a mesma cara, aí fui pesquisar modelos/desenhos diferentes:

Esse efeito pode ser utilizado também para emoldurar outros materiais, como espelhos, papéis de parede, para dar ênfase em quadros…

Tem uma imagem que eu adoro. Na minha pesquisa sobre esse tema ela surgiu inúmeras vezes em blogs descrita como “boiserie Moderna com detalhe no teto”:

Tudo mentira de novo. Na verdade eu já conhecia esse projeto, que eu acho muito bonito aliás. E a inspiração para ele realmente são as boiseries, porém não é uma moldura na parede. É o fio da luminária, que para não ter que mudar ponto elétrico eles resolveram puxar lá de cima mesmo. Incrível, né?

Algo perfeito para quem gosta do efeito mas, por exemplo, vive de aluguel e não pode fazer grandes intervenções no imóvel, é muito lindo usar esses detalhes no mobiliário:

E o local onde eu mais adoro colocar essa decoração é…

Nos corredores! Afinal, ocupa quase nada de espaço. Neste da foto acima também são armários.

Para acabar, antes que a patroa divina me dê as contas por excesso de imagens e de texto, eu quero que vocês não confundam a técnica em questão com rodameio ou lambril.

O lambril – muito comum em quartos de bebê – divide a parede, e geralmente é feito um revestimento em ripas, painéis, ou molduras na porção inferior:

Eu não posso perder a chance de postar um banheiro roxo:

O Rodameio, é uma moldurinha que divide as paredes em duas porções também, mas só isso, não precisa necessariamente ter adição de nenhum outro material:

Muitas vezes nem precisa ser um novo material, apenas uma outra cor:

Chega né!

Mandem suas perguntas para mim nos comentários que eu respondo! Nem ando demorando tanto.

Super beijo,

#Bença!