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Apr 2018
A Farsa no Instagram – Parte 2
Cotidiano, Shopping Time

Mas deu o que falar o primeiro post sobre A Farsa No Instagram hein? Tanto que apareceu assunto até para uma parte 2 e cá estou eu, novamente, mais armada de informação e MAIS REVOLTADA ainda com a cara de pau dos “influenciadores” que montam um perfil baseado na mentira.

Antes de mais nada, queria esclarecer uma coisa. Minha denúncia não é direcionada a ninguém especifico, não é recalque nem inveja, não preciso disso. Não mesmo… Minha denúncia tem a ver com um trabalho que eu faço (e que várias outras pessoas também fazem) HONESTAMENTE e levado MUITO a sério, mas que é desvirtuado e desvalorizado por gente de má índole que quer se dar bem em cima de um “jeitinho” para aparecer mais ou construir uma imagem forte que… não existe.

Deixa eu desenhar, vem comigo (adoro analogias rs):

Pensem em uma pessoa que acorda cedo, se arruma, vai trabalhar, chega no horário, faz seu trabalho direito, cumpre suas responsabilidades, responde seu “chefe”, faz suas tarefas da melhor maneira possível… Tenta conquistar seus clientes um a um, mostrando transparência e conquistando a confiança. Tudo isso com o intuito de garantir sua permanência no emprego, de conseguir quem sabe uma promoção, de ter seu salário conquistado para pagar suas contas e quem sabe comprar um carro, uma casa, sei lá além de obviamente entregar um produto/serviço de qualidade e que corresponderá ao que o cliente deseja, sem enganações.

Daí tem o colega de trabalho, mesmo cargo, mesma empresa, mesmo “chefe”. Ele chega atrasado mas pede para alguém “bater ponto” pra ele antes. Ou nem vai porque tá de ressaca mas diz que tá doente em casa. No trabalho, enrola, finge estar trabalhando, tem suas responsabilidades atrasadas. Mas de alguma maneira, ele forja para seu “chefe” um trabalho bem feito, só a parte de cima trabalhada, um relatório com a capa linda mas cheio de folhas em branco, mostra sua “competência” com um número grande de clientes que ele inventou (ou que enganou prometendo coisas que não consegue entregar) e o que acontece?? O chefe acha lindo, vai lá e promove a pessoa, aumenta o salário.

Injusto não?

Pois bem. As empresas/marcas são os “chefes” dessa turma de influenciadores. O relatório, é conteúdo que produzem. A competência, o retorno gerado. Os clientes, os seguidores, enganados ou conquistados. Simples assim.

Alguém está sendo enganado não é? Tanto as marcas que acreditam num trabalho que não existe, que apenas é “enfeitado”, como os seguidores, que foram forçados a acreditar que aquele serviço era bom.

Affff falei demais, mas foi só a introdução para a bomba que vou jogar agora. No último post, dei algumas dicas de como saber se a pessoa que você segue comprou seguidores ou não. Muita gente me disse que a Luisa Accorsi tinha feito um vídeo falando de um site que mostra exatamente isso: se o perfil é comprado ou não. Bom, na verdade, o tal site não vai te falar claramente, mas só de ler os dados a gente já saca na hora. O tal dedo duro dos fakes se chama Social Blade.

Ó, já aviso… Cuidado que ele vicia.

Pra começo de conversa, ele só funcionou pra mim no Chrome. A interface é bem fácil de trabalhar. Vamos lá, vem comigo desmascarar alguns fakes:

No Chrome, vá em www.socialblade.com

Escolha “investigar” Instagram

Me escolhi para mostrar pra vocês

Os printf são de janeiro, este post está esperando já tem um tempinho… Como podem ver, eu ganho e perco seguidores na mesma proporção. Em dois anos, cresci apenas 10 mil seguidores e tô investigando o motivo. Um dos motivos é provavelmente o uso de algumas # que foram proibidas pelo Instagram há um tempo e eu teria que tirá-las das minhas fotos, mas cadê coragem de checar minhas mais de 7000 fotos para procurar as tais #? Enfim, continuemos com o Social Blade.

No gráfico acima, vocês podem ver meu crescimento desde 2014. Uma curva continua em ascensão. Normal. Crescimento ORGÂNICO, zero compra de seguidores. Lá pra dezembro de 2014 uma queda de poucos seguidores, que foi aquela limpa que o Insta fez e que todo mundo perdeu alguns números. Quem tinha comprado, perdeu MUITOS, algumas contas mais de 50%, quem não tinha comprado, perdeu seguidores inativos e spammers. A revista Glamour fez uma matéria sobre a tal limpeza no Insta, segue o LINK para quem quiser ler. É bem legal.

Agora vamos ver quem compra e quem não compra seguidores? Uma das maneiras mais rápidas e fáceis é comparar perfis. Lá no Social Blade mesmo você pode fazer isso.

Comparei 3 perfis que sei que não compram seguidores: a Lu Ferreira do Chata de Galocha, a Anita Bem Criada e eu, todas de BH porque gosto de valorizar minhas colegas que fazem um trabalho lindo. Claro, a Lu tem muito mais seguidores que a gente e fica lá em cima, mas reparem no formato do gráfico: os 3 perfis são curvas em suave ascensão. Praticamente uma linha crescente sem grandes eventos.

AGORA VEM O TERROR, OLHEM O GRAFICO DE QUEM COMPRA SEGUIDORES:

 

Conseguem ver a diferença no gráfico? Enquanto um crescimento orgânico é uma curva suave e crescente, a curva de quem compra seguidores é cheia de eventos, de picos e altos e baixos!!! Por que disso? Porque cada pico, é um dia de seguidores “comprados”. Um dia compra 2mil, outro 4mil, depois perde 1mil e por aí vai.

Mais uma comparação. POVO QUE COMPRA SEGUIDORES E SE AUTODENOMINA INFLUENCIADOR, CÊS NÃO TEM VERGONHA NA CARA NÃO? Enganam as marcas vendendo um alcance que não existe e enganam os seguidores fingindo credibilidade no que postam!

Aff

Continuemos:

Gente, é bom dar uma entendida nesses números, principalmente marcas ao pesquisar influenciadores para ações: não é normal ganhar 2 mil seguidores num dia, depois perder e perder, e depois ganhar 4 mil, 5 mil seguidores em um único dia. A não ser que o perfil seja SUPER CITADO por alguma mídia de peso (o que não é fácil/comum/recorrente), isso não é um crescimento verdadeiro, ok? É fake, BEM FAKE. 

Quer mais dicas para saber se o “influenciador” tem perfil com informações falsas? Fácil, o mesmo número de curtida em todas as fotos. Sim, porque pode comprar curtidas,  comentários e seguidores.

Gente, uma BOA foto de look dá boas curtidas, uma foto de uma flor, dá menos curtidas. Uma selfie bonita, dá boas curtidas, uma foto de um produto na bancada do banheiro dá menos curtidas. Fotos espontâneas, dão boas curtidas, fotos de PUBLI dão menos curtidas. É uma coisa óbvia! Então reparem: se um perfil tem 4.000 mil curtidas em todas as fotos, seja selfie, de paisagem, de um pedaço de pão, pode saber, são curtidas compradas. O engajamento REAL é variável e vai de acordo ao exibido no Instagram.

Mais dicas para saber se estão comprando curtidas? Clica pra ver quem está curtindo as fotos. Se for aqueles meninos de boné de aba reta, perfis de sacanagem ou esquisitos, de um público nada a ver,  pode saber que tem algo estranho. E percebi que esses perfis que curtem tem geralmente 7.500 seguidores. Perfis montados e fakes. Tipo assim:

É só dar uma olhada nas curtidas e se tiver uma série desses, bingo: compra curtidas também. Podemos chamar isso de engajamento? Esse público vai comprar algo? Acho que não hein… E todos esses prints acima foram de UMA FOTO de uma blogueira com mais de 6 mil curtidas na foto. Nem precisei procurar os fakes, era um atrás do outro mesmo.

Ah, comentários repetidos da mesma pessoa chamando insistentemente de : LINDA, MUSA, DEUSA, VOCÊ ARRASA, IDOLA também indicam que tem treta aí.

Ah, pára né?

Além dessa turminha que ama comprar tudo no Instagram e enche a boca pra falar que é influenciador profissional (sim, tem gente que se denomina assim. Profissional só se for em compra de fakes né?) existe também mais uma maneira de bombar o Instagram de falso engajamento: os grupos de whatsapp. Como assim? Existem grupos de WhatsApp, cheio de “influenciadoras” que combinam de curtir e comentar as fotos das migues para aumentar o engajamento. O convite para esses grupos é mais ou menos assim:

Meu estômago chega a embrulhar. E o de vocês?

Gente, essa farsa saiu até no New York Times! Mais direcionada aos fakes do Twitter, mas no fundo é a MESMA coisa. Quem quiser ler, segue o LINK.

“Todo mundo quer ser popular online. Alguns pagam por isso.” 

Ia citar também alguns casos que recebi sobre lojas/marcas que fecharam com influenciadoras e não tiveram retorno algum. Tipo, nem copo d’agua ganharam. Várias pessoas entraram em contato comigo para me contar casos mas… deixa pra lá né? O recado está dado: para as MARCAS prestarem atenção em quem estão investindo e para VOCÊS abrirem os olhos e saber quem estão seguindo.

  • O que vai acontecer? Vão parar de comprar? Não… não vão. O Instagram vai fazer uma nova limpa e acabar de vez com essa prática? Duvido… A única coisa que eu realmente quero e me importo é com o mercado. Só quero que as marcas valorizem quem faz um trabalho limpo, de verdade e honesto. Que entendam de uma vez por todas que número de seguidores NÃO é garantia de retorno ou indica engajamento. Olhem com calma, analisem, pensem em nichos, em público de verdade e conteúdo. O resto, que continue fake, mas que não queime o trabalho de quem faz bem feito. E se fizer drama, ainda vai ter a parte 3.