Futilish

Chora Que Eu Te Escuto!

Recebi uma surra de emails pro Chora e novamente suspendo o recebimento de depoimentos até segunda ordem, ok? Na medida do possível publicarei 4 casos ao invés de 3 para andar mais rápido.

Vamos lá!

Caso 01 – Marcela

¨Cony, oi. Há algum tempo considerava escrever para a sessão do Chora mas nunca tinha tomado coragem até o momento. Meu problema são muitos e creio que tenha pouco a ver com o que geralmente leio na coluna. São quatros pontos cruciais que se encaixam para a minha situação atual e vão ser um tanto longos, por isto já me desculpo.

1. Tenho atualmente 21 anos e sou vestibulanda de Medicina há quatro anos. Sempre soube que era isto que queria e uma vez que me decidi pela carreira não larguei mais o osso. Eu estudo muito, praticamente minha vida é centrada ao redor disso. Até o momento presente nunca passei em nenhuma universidade pública (embora tenha passado em uma particular a qual não tenho condições de pagar e que não possui FIES). Como me dedico a passar em uma universidade pública, minha vida social é próxima de nula.

2. Tenho amigos, nunca foi um setor do qual eu pudesse reclamar. Amizades antigas que datam mais de 10 anos, amizades da época do colegial e amizades do próprio ambiente do cursinho. Meus pais moram juntos, apesar de erem um relacionamento complicado, e atualmente minha mãe está com câncer e meu pai desempregado. Meu irmão mais novo tem um espectro do autismo, a síndrome de Asperger por isso as coisas nunca foram exatamente fáceis.

3. Nunca estive em um relacionamento que durasse mais que um dia e sou virgem. Meu primeiro beijo foi tardio, aos 19 anos em uma balada com um cara que nunca mais vou ver na vida. Depois disso beijei apenas duas outras pessoas também em ocasiões similares. Sinto vergonha, apesar de estar ciente de que é uma besteira e não deveria, e por isto apenas minhas amigas mais antigas sabem disto. Todas as minha amigas namoram e frenquentemente eu me pergunto o que há de errado comigo.

4. Sou uma pessoa muito ansiosa e provavelmente devo ter algum grau de depressão. Tenho pensamentos suicidas frequentes mas devido a conjuntura atual da minha família eu sempre decido não perdurar muito em tais ideias (meaning que eu não seguiria em frente com nada). Já busquei tratamento psicológico mas nunca consigo me adaptar às terapeutas e atualmente com a situação econômica é virtualmente impossível procurar outro tratamento. Minha autoestima é próxima de não existente.

Reconheço que se trata de assuntos diferentes mas no fim eles trouxeram a mim à situação atual em que tudo que eu desejo é morrer. Não desejo falar nada aos meus pais pois os problemas deles já são muitos, meu irmão não possui a maturidade necessária para me ajudar, ajuda profissional, como mencionei, é inviável. Não quero incomodar meus amigos – qualquer que sejam eles – com meus problemas porque sinto que toda vez que é minha vez de falar eu só despejo o caos que é minha vida. Eu procuro permanecer o mais estável possível, continuo a estudar e a realizar simulados, estou à procura de emprego para auxiliar minha família. Participo, na medida do possível, da vida dos meus amigos, ajudando, rindo, estando presente. Procuro tentar “me colocar” engajando em conversas com um crush. E ao mesmo tempo eu acordo todos os dias e tudo que sinto é um vazio imenso e uma vontade de dormir, um sono sem sonhos, para sempre.

 Aceito qualquer tipo de conselhos que você ou qualquer uma das leitoras tenha a dar (exceto, talvez, o clássico “cada coisa tem sua hora e a sua vai chegar” que honestamente me faz querer chorar e gritar).¨

Uh, deixa eu respirar aqui. A cada parágrafo meu peito apertava mais um pouco. Menina, você está se mantendo forte demais e uma hora isso pode desmoronar. TODO MUNDO TEM PROBLEMAS, todo todo mundo. Acho que você deveria desabafar com seus amigos SIM, amigos são para isso e você está num momento que precisa falar falar falar e ouvir muitos conselhos ou pelo menos ter um ombro onde encostar e VOCÊ TEM! Vamos por partes:

1 – Uma hora você vai passar. Pode gritar e chorar mas é a verdade. Você vai passar e fará sua faculdade de Medicina. Não desista e sinto que não vai desistir mesmo, continue centrada É QUESTÃO DE TEMPO SIM POHAN. Não tem outra resposta.

2 – Você tem amigos, maravilhoso. Sua família está passando por momentos difíceis, seja PARCEIRA, e não o pilar da família. Você tem suas fraquezas também, não precisa ser a perfeita, estudiosa, ou o peso de seus pais. Seja leve em casa, motive seu pai, motive sua mãe que precisa MUITO de você e cuide seu irmão. Faça isso naturalmente, é a sua família! É o que a gente faz normalmente, faz no automático, não se exija quanto a isso, apenas pratique o amor dentro de casa.

3 – Você não namora, nunca namorou e tem 21 anos. Grandes bostas hahahahahaa. Sério mesmo, eu no seu lugar o que eu menos iria querer nesse momento é um namorado. Homem dá muita dor de cabeça e você não precisa de mais uma coisa para se preocupar. Relaxe, saia, se divirta como puder. Se rolar de ficar com alguém fique, mas no fundo no fundo, não faça disso uma prioridade em sua vida. Você tá muito nova e tem muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito o que viver ainda. Acredite, pode excluir esse ponto.

4 – Pensamentos suicidas. Bacana hein? Uma moça doida pra fazer Medicina, quase lá, cheia de amigos, com uma família que precisa de você, sua mãe lutando pra viver e você querendo desistir? SÉRIO ISSO? Páre JÁ de pensar bobagem! O fim da nossa vida não é a gente que decide não! Nem é algo a ser pensado! Pode estar difícil agora, pode não estar sendo do jeito que você sonhou, pode não ser uma vida cor de rosa, podem aparecer problemas novos todos os dias mas sabe o que isso significa? QUE VOCÊ ESTÁ VIVA, VIVENDO E APRENDENDO! Pode estar pesado, mas saiba, vai ficar leve! FATO! Tenha paciência, se ame, você é perfeita!!! Um dia você vai lembrar disso tudo e pensar: putz, como eu era boba…

Estamos conversadas? Ânimo, ame seus pais, seu irmão, cobre a amizade dos seus amigos (eles estão aí pra isso), estude estude estude, passe em Medicina e para cuidar de mim quando eu estiver velhinha. Combinadas?

 

 

Ganhou 2 quotes!

Caso 02 – Alessandra

¨Tenho 29 anos, casada há 10. Meu marido é uma EXCELENTE pessoa, aquele típico marido que beija o chão onde eu piso, e não mede esforços pra me fazer feliz. Eu sempre fui feliz com ele, justamente porque ele sempre foi uma ótima pessoa, um grande amigo. Mas o olho nunca brilhou, e nunca tive borboletas no estômago. Até que, há cerca de 1 ano, comecei a perceber que estava tendo um crush num amigo. Sabe aquele tipo de pessoa que você pode conversar por horas a fio, que o assunto nunca acaba? Aquele tipo de pessoa que parece adivinhar seus pensamentos, e que combina com você em praticamente tudo? Pois é. O problema é que esse amigo é casado também. E eu também sou amiga da mulher dele, que também é amiga do meu marido. Ou seja, são dois casais amigos. Eles também são casados há um tempão, e tem uma relação que, à primeira vista, é perfeita. Sempre parecem felizes, amigos, companheiros. Justamente por isso, eu ficava aqui alimentando minha crush, mas sem nunca achar que teria a menor chance. Total amor platônico. Até eu descobrir que tinha chance sim. E que tudo que eu sentia pelo meu amigo era correspondido. Enfim, foi um choque para nós dois, ficamos sem saber o que fazer, totalmente perdidos. Nunca tivemos nada, nem um beijo, nada. Mas as conversas são totalmente explícitas, ele já disse com todas as letras que está apaixonado por mim. Mas, apesar disso, já concluímos que jamais teremos um caso, porque as outras duas pessoas envolvidas são especiais demais para serem sacaneadas desse jeito. Agora eu me encontro nessa situação horrível, porque não quero magoar meu marido, NUNCA, JAMAIS. Mas, ao mesmo tempo, o coração bate forte pelo amigo, o estômago fica cheio de borboletas voando pra tudo quanto é canto, os olhos brilham… Tenho considerado a possibilidade de me separar sim, afinal, claramente não amo meu marido. Mas tenho 99,99% de certeza de que meu amigo jamais se separará da mulher dele, porque ele é uma pessoa muito correta, que nunca teria a coragem de magoá-la. É uma relação de muitos anos também, eles são super amigos, enfim, não imagino eles separados. Então acabo ficando na dúvida… mesmo que meu amigo nunca se separe, seria justo eu continuar com meu marido, sabendo que não o amo? Não seria melhor recomeçar minha vida (afinal, sou nova ainda), se não com o amigo, com alguém que um dia possa aparecer? Ou seria melhor dar valor a uma pessoa que sempre foi muito boa pra mim, e sempre me fez “feliz”? Enfim, estou desesperada. Se alguém puder me ajudar, agradeço!¨

Separa. Você quer isso e essa vontade está em cada frase sua. Mas uma curiosidade: onde, como e quando você conversa intimidades com esse seu amigo? Cuidado pra não dar mierda grande hein… mas voltando aqui, miga, você não não sente nada pelo seu marido. Ele é bacana e tals, mas é isso? Viver no morninho te satisfaz? Se isso pra você está ok, continua… mas vai ser sempre aquela coisa sem graça, apenas pelo seu comodismo. Isso tudo baseada no que você contou ok? Quanto ao seu amigo, esquece ele. Separando ou não separando, corta isso já! Pode ser que você se separe e ele também, eu acho bem possível… se ele realmente está afim de você, acho muito mais digno isso acontecer quando nenhum dos dois tiver mais vínculos com os parceiros. Você não está FELIZ, você está ¨feliz¨. Isso te basta? Acha que pode se apaixonar novamente pelo seu marido? Acha que está pensando em separar só por causa do outro carinha ou isso é inerente ao crush? Pense nisso… mas a resposta acho que você já tem. Sei que vai ter gente falando para lutar pelo seu casamento, não deixar o amor acabar mas sinto um desânimo forte na sua fala… Sei não, eu tomaria outros rumos, outros ares. Ainda mais tendo apenas 29 anos.

Caso 03 – Paula

¨Cony, sou seguidora assídua, dessas que entro quase todos os dias pra ler seu blog e tive que tomar muita coragem pra escrever e expor meu problema. Tenho 25 anos, sou formada e bem-sucedida. Namorei por 6 anos, fiquei noiva, e 6 meses antes de me casar conheci uma pessoa, me apaixonei e larguei tudo. Não por causa dessa pessoa, mas porque ela foi a personificação de um problema que existia. Nunca me arrependi por essa decisão, mesmo sendo vista como megera pelo meu ex, sua família e alguns amigos. Acontece que essa pessoa por quem me apaixonei, namorava há 10 anos. Ele também terminou pra ficar comigo, ficamos juntos por 4 meses e foi incrível. Mas a ex não sossegou até fazê-lo voltar. Não tiro a razão dela, 10 anos é muito tempo mesmo. Sofri muito, cheguei a esbarrar com eles algumas vezes e até passar mal. O grande problema não foi porque ele voltou o relacionamento, mas porque voltou e continuou me procurando, dizendo que estava sofrendo, que eu poderia ser o amor da vida dele. Foram 2 anos da minha vida assim, me sentindo sozinha, vendo minha autoestima indo pelo ralo…Ele me dizia que tava em um dilema, que era muito difícil, que me amava, mas aí eu entrava no instagram e tinha uma linda foto dos dois.

Até que eu conheci uma outra pessoa. E me permiti me envolver. Ele é incrível, somos formados na mesma área, temos sonhos parecidos, é lindo e me trata como uma princesa. Não estou apaixonada, não é um sentimento avassalador como foi com o outro, mas ele me traz paz, gosto demais dele e é a minha chance de esquecer toda a história que me fez tão mal. O problema é que o outro descobriu, surtou, terminou o namoro, disse que não quer me perder e me deu um prazo.
Uma parte de mim queria arriscar. Mas nossa história não vai começar do zero, tem uma bagagem muito grande e eu sempre vou me questionar por quê ele demorou tanto pra “descobrir” que era comigo que ele queria ficar. Ele já me machucou demais, mas ao mesmo tempo, não consigo me livrar desse sentimento.

Alguém já passou por algo parecido e poderia me ajudar?¨

AMIGA FUJA PARA AS MONTANHAS! E de preferencia, SOZINHA! Meu, só consigo ter muita pena da ex desse cara e achar ele um grande cachorrão! Pense que o que ele fez com ela, pode facilmente fazer com você! O cara voltou pra namorada, postando felicidade em rede social e te procurando ainda? Não vale NADA. Nada mais a dizer. Esquece ele, não vale a pena, vai te fazer sofrer e se for o caso, fique com o rapaz novo sim, nem que seja pra você esquecer um pouco o cachorrão. ¨Ah mas não quero magoar o rapaz…¨ Você pode até se apaixonar por ele sabia? Tente, de leve, aos poucos e se organize. É muita treta pra pouca pessoa. 

Caso 04 – Monica

¨O título é chora, mas eu não vou chorar não.
Acompanho os “choras” desde o começo e queria aqui fazer o contrário. Sorrir! E sorrir junto é mais gostoso, não é?! Por isso vim dividir um pouco minha história.
Desde a adolescência sempre fui muito insegura. Achava que os meninos não gostavam de mim, que não tinha amigas, que não era suficientemente inteligente. Estava sempre me colocando para baixo e me comparando com as outras pessoas. Comecei a namorar super cedo, aos 16 anos, e esse namoro durou quase 11 anos. Foi uma história cheia de coisas bonitas, mas muito conturbada. As inseguranças sempre vinham à tona e o namoro acabou de uma forma muito feia, numa história cheia de traições e falta de sinceridade.
No meio disso tudo, existia uma angústia muito grande com relação à profissão. Eu nunca tive certeza do que queria. E mesmo quando descobri dentro da profissão uma área que eu gostasse, nunca consegui entrar no mercado de trabalho nessa área, o que só piorava o meu emocional.
O fato é que com o fim do namoro eu fui pro fundo do poço. Todas os sonhos que eu havia construído tinham virado fumaça. E eu não sabia o que era ser adulta sem ter um namorado do lado. Eu era co-dependente daquela relação. E agora? Eu não sabia quem eu era, do que eu gostava, quem eram meus amigos e que rumo seguir na profissão.
Foi duro, mas tive que aprender. Na marra! Tomei remédio e fiz acompanhamento psicológico, tudo para me colocar nos eixos novamente.
E eu encontrei sim meu eixo! A dor passou, o sorriso veio, e comecei a compreender o amor de uma forma diferente. Comecei a sentir o amor próprio! E com ele, acabei descobrindo a liberdade, a segurança, a força e a coragem. Agora eu sabia quem eu era e do que gostava. Eu era de novo a única responsável pelas minhas escolhas e minha felicidade.
Hoje, com 30 anos, posso dizer que nunca fui tão feliz na minha vida. Não porque algo me faz feliz, mas porque hoje eu SOU feliz. Descobri que a felicidade vem sim de dentro. Claro que algumas coisas me entristecem e enfurecem, mas os sentimentos ruins são passageiros, pois sou eu que escolho o que vou fazer com eles, se vou deixar eles me dominarem ou não.
Minha escolha hoje é ser feliz! então eu respiro fundo, e vivo um dia após o outro, sempre com pensamento positivo e alegria no olhar!

Sei que meu relato sai um pouco do contexto, mas espero com ele ajudar algumas meninas e enxergar que sempre há luz no fim do túnel! Nada nessa vida é para sempre. Lembrem-se: “não há mal que nunca acabe, não há bem que sempre dure”! Beijos no coração.¨

Sair da versão mobile