Futilish

Mi casa, Su casa – Quatro Questões

Olá Fufús!

Fiquei super feliz com a maneira que vocês receberam o post sobre as cores! Vocês não sabem, mas eu fico com o coração hipertenso apertadin até que começam a vir os comentários, as perguntas, as sugestões… Deve ser herança de quando eu dava aula, eu sempre acho que poderia ter exposto mais! Acho que eu não iria conseguir fazer topless eu teria que ser nudista mesmo. O “quase” realmente não me satisfaz.

E esta semana, durante uma negociação ferrenha com uma arquiteta de SC (para quem estou orçando um projeto) eu me vi respondendo uma série de perguntas tão comuns (tanto da cliente quanto da profissional) e isso me fez refletir: Como eu ainda não falei disso por aqui no Futilish, já que são tão recorrentes.

Então pega o óculos fashionista, pede um Latte Macchiato…

 

…senta comigo e vamos conversar sobre o profissional: Por que, pra quê, como e quanto?

Por que? Bom, muita gente tem facilidade em combinar coisas, e tem tempo e paciência pra pesquisar e acompanhar uma obra. É perfeitamente decorar uma casa all by yourself. Vai ficar com um resultado de casa de novela? Depende do seu budget. Mas o que eu quero dizer, é que dificilmente, as pessoas que não trabalham diretamente com algo relacionado à construção ou decoração saberá a ordem que as coisas devem ser feitas, as quantidades – sem muito desperdício – e todos os detalhes técnicos de materiais. Isso falando de interiores né, porque se partimos para construção, não tem jeito, você precisará de um arquiteto ou um engenheiro. Pois além deles terem estudado pra saber detalhes de – como sua casa não cair igual a casa de palha do porquinho número um – também estudaram conforto térmico, acústico, ergonomia.

 

Bônus informativo: Muita gente tem dúvidas também sobre a diferença de Engenheiro Civil e Arquiteto. Essa é uma guerra antiga, pois as habilitações segundo a definição de leis brasileira é a mesma. De diferença MESMO, arquitetos não podem assinar responsabilidade técnica para construir rodovias e aeroportos – mas podem projetar. Entretanto a brigalheira é complexa porque nas grades de faculdade (varia um pouquinho conforme instituição, mas basicamente é assim)

Engenharia – tem 06 meses de estudo de projeto arquitetônico e 60 meses de engenharias.

Arquitetura – tem 60 meses de estudo de projeto arquitetônico ( + 60 de projeto urbanístico) e 48 meses de estudo de engenharias.

Quando falamos de “instalações” que são os estudos de projeto da parte hidráulica e elétrica, Arquitetura em 12 meses e engenharia tem 24 meses.

Arquitetura tem estudos aprofundados em teoria da arte, história da arte, composições de formas, e toda essa viadagem pra fazer projetos diferenciados. Engenharia recebe uma breve visão sobre isso, mas, em contrapartida, tem estudos aprofundados de cálculo de estruturas, resistência de materiais.

E para as leis brasileiras ambos podem fazer as mesmas coisas. Na prática, um não vive sem o outro. Eu tinha uma professora maravilhosa – Beijo Leila! – que dizia que o engenheiro é o pai da construção. Ele não se importa em colocar a placa lá na frente, se o filho tá bem vestido, ou se tá limpinho. Pro engenheiro o filho tem que ser forte, resistir à vida e manter-se firme e descomplicado. Dae vem a arquiteta, toda mãe, se preocupando com o calor, com o frio, com a roupa bonita, com os cursos complementares, querendo notas mais altas e que seu filho seja SIM, melhor que o coleguinha #sorryavidaéassim.

Chega ser irônico, mas é muito comum engenheiros e arquitetos casados. Em qualquer formação de gêneros aliás! I mean: (banana+figo , banana+banana ou figo+figo)

Eu acho realmente que as duas profissões se complementam. Um bom projeto arquitetônico tem muitos detalhes que tem que ser pensados com uma sensibilidade que o engenheiro não foi ensinado a ter, eles são programados para ser técnicos e práticos.

Tanto que eles raciocinam mais em metros quadrados, enquanto os arquitetos pensam mais nas medidas lineares. Por exemplo, a medida mínima para um quarto é 7,5 m2 ok, mas esse quarto pode ter 2,5 x 3,00 que seria confortável para um casal, mas também poderia ter 2,0 x 3,75 que só comportaria solteiros.

Eu tenho um primo que se formou recentemente, com menção honrosa, palmas pro meu primo lindo (louro, novinho e solteiro meninas! #vemgent) e ele numa ocasião me passou um briefing de uma casa… tudo em m2! Não dá, assim não dá.

Mas não é porque eu sou um arquiteto quase-arquiteto (loading 87%) que eu não vou falar dos perrengues. Cálculo de estrutura, detalhes de fundação, hidráulica, elétrica são muito importantes e são muito difíceis. E o pior, metaforizando: uma mãe se apega aos defeitos dos filhos, não importa ela sempre vai fazer uma curva pra que o filho não sofra. Então, na minha opinião, o melhor formato é um profissional de arquitetura que trabalha no projeto arquitetônico e em parceria desenvolve com um profissional de engenharia os detalhes de estrutura, de racionalização de construção e aí adequam os detalhes.

E com isso seguimos pra próxima pergunta: Pra quê?

Existem diversas esferas de trabalho destes profissionais, desde te ajudar a encontrar o terreno perfeito pro que você pretende construir, até para preparar seu ambiente pra que o seu cliente se comporte do jeito que você quer.

De uma forma geral, cada um vai se identificando com a parte desse leque de trabalhos que mais se identifica, por exemplo, conheci uma arquiteta espetacular (Beijo Daniela!), que tem um escritório que só cria ambientes de hospedagem, hotéis, pousadas… Tem outros que se especializam em ambientes de saúde, e por assim vai. O importante é procurar alguém que faça o que você precisa. Pode ser um cronograma, pode ser um orçamento prévio, pode ser uma documentação pra regularizar uma obra que foi feita sem autorização da prefeitura… Mas por exemplo, um profissional que gosta de fazer projeto arquitetônico e executar obra, não necessariamente convive com detalhes da arquitetura de interiores. Hoje mesmo ( sim, sábado 12 de setembro ) eu apresentei um projeto onde os pontos hidráulicos foram deixados fora do padrão, e resultamos com 5 banheiros onde não dá pra fazer o mobiliário que a dona da casa quer.

#arquitetaFAIL e o que mais me dói no corassaum: A cliente disse: “eu não fui questionada sobre os pontos”. Ou seja: “FAZ AÍ sr. PEDREIRO, DEPOIS RESOLVEMOS”. Não queridinha, dinheiro de ninguém é capim. Ta aí Eike Batcheeesta falido pra nos lembrar disso.

Se você estiver construindo, uma dica FREE: Começou a fundação, corre definir o mobiliário. A maioria das lojas de móveis sob medida ou modulados se dispõe a te passar os pontos corretos de água, gás, tomadas, esgoto… às vezes a gente naquele interrogatório que eu já contei aqui, te facilitamos a evitar quebra-quebra lá na frente…

Como?

Geralmente esse tipo de profissional (Arquiteto / Designer / Engenheiro) vem pela indicação de alguém, ou pela notoriedade dos trabalhos na região em que ele atua. Todo mundo deve, puxando pela memória lembrar do nome de algum destes. O designer é mais comum em cidades um pouco maiores, mas eles fazem as coisas meio que iguais, porém com uma grande diferença: Designers não constroem nada – só se for de gesso. Podem mudar revestimentos, alocar pontos de tomada e hidráulicos, dividir ambientes e tal. Como o designer, como diz uma amiga “faz a casquinha” às vezes ele é menosprezado. Mas atualmente grandes escritórios já incluíram esse profissional em seu quadro fixo de funcionários, pois geralmente nós estamos muito a campo, e conhecemos as novidades de materiais e serviços antes que os demais.

Agora, não importa o que na sua vida for escolher: arquiteto, designer, gineco, dentista, cabelereiro, depiladora… o que tem que estar mais alinhado no mundo, é o seu gosto pessoal com o estilo do profissional. Não contrate o profissional X porque ele é famoso, se o estilo dele é clássico, e o seu é moderno. Não vai dar certo, provavelmente vocês vão se desgastar e vai ter desquite no meio do caminho.

Lembre a praga do profissional de outra coisa: Quem vai morar lá é você, não ele. Claro que ele está alí pra te orientar, dizer que tal coisa funciona bem, tal coisa está em desuso… Mas se você quer um porta pano de prato na sua cozinha, tem que ter sim. A casa tem que estar adequada pra você e sua família, não importa que ele não gosta do porta pano.

 

 

Pros que ficaram em dúvida: EU ODEIO PORTA PANO (mas eu sugiro colocar o acessório aramado pra isso dentro da porta da pia) .

Lembre-se também de que vc está construindo e reformando pra uma família… mas que a gente nunca sabe o futuro (o governo está aí pra nos lembrar disso) então por mais peculiar que um imóvel seja, ele não pode ser uma coisa esdrúxula que no caso de necessidade você não consiga reaver o dinheiro que investiu.

Tipo: uma casa num condomínio RYKO sem suíte. Ou pior, com dois quartos e um banheirin pra todo mundo. Adeque o imóvel ao público da vizinhança, afinal você escolheu morar ali porque se identificou.

Quanto?

Pensa numa pergunta difícil! Na faculdade de arquitetura mesmo eles não sabem explicar. Mas é que projeto é muito variável, o preço pra projetar um galpão pra armazenar ferramentas não é o mesmo preço de se projetar um hospital, né… a complexidade é outra. Então antes de tudo, é necessário uma conversa, pra ambas as partes combinarem o que será feito.

No caso de interiores, existem variantes mas assim, aqui, na minha região paga-se desde R$ 15,00 o metro quadrado de um projeto até R$ 120,00 viu que loucura!?

Existem outras formas de cobrança, como os 10% do valor da obra. Eu acho arriscado, e só faço pra pessoas muito amigas.

Existe também valor para acompanhamento de obra, que é fora do projeto, tem pagamento por visita… enfim, firmem um contrato com seu elegido. Nem que seja sua irmã. Não achem que é uma formalidade ofensiva de “achar que você não vai pagar” é também uma forma de dizer: “temos um acordo e eu vou te entregar tudo que eu prometi”. É segurança pra todo mundo, tá? Confia no tio.

Então Fufus do meu rebel heart, já são 22h e eu vou publicar tipo, LIVE!

Porque eu fui promovido pela Cony.

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Não comporte-se!

Bença.

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