Futilish

O Quê Que Eu Tô Fazendo Aqui?

Hoje quero falar, conversar, falar de mim! “Ai que egocêntrica” muitos devem estar pensando, mas hoje é o dia de sanar a dúvida geral e a curiosidade sobre minha vida kkkk.

Muita gente me pergunta como que vim parar no Brasil, que idioma falo com meus pais, por que sei falar português bem e sem sotaque, como é minha vida em geral, como foi a época que fui morar nos USA…

Ok, vocês venceram, vamos lá.

Nasci numa fria noite de Julho em Santiago do Chile. Era um dia 7, igual hoje (ops, acho que é meu aniversário então rsrsrs). O Chile estava entregue à ditadura do Pinochet (ele ficou 17 anos no poder!) e tinha toque de recolher, onde ninguém podia sair de casa depois de determinada hora. E adivinhem quem resolveu nascer bem na hora que não podia? Euzinha. Desde pequena dando trabalho e botando todo mundo pra correr rs. Meu pai conseguiu a muito custo uma ambulância, com bandeira branca e tudo para conseguir chegar ao hospital. Era noite, mas eu só resolvi dar as caras pro mundo no outro dia, às 14h. Acho que isso explica minha terrível ansiedade.

Morei pouco tempo no Chi Chi Chi Le Le Le, pois como a situação estava complicada por lá e o Pinochet privatizando tudo, fechando indústrias e tocando o terror, meu papi resolveu tentar melhor vida no Brasil, que estava no auge da sua industrialização. Foi a época que o Brasil se encheu de gringos, italianos, chilenos, argentinos, todos seduzidos pelo boom industrial. Deu tudo certo e cresci aqui em Minas Gerais. Logo depois, vieram mais 2 irmãos, mas minha mãe ia “ganhar” eles no Chile, com o mesmo médico de sempre. Ou seja, somos todos 100% chilenos. Aprendi a falar português e espanhol praticamente ao mesmo tempo e adotei o português como meu idioma oficial, tanto que em casa conversamos em português, eu e meus irmãos, e meus pais respondem em espanhol rsrs, uma confusão só!

Nunca perdi o contato com o Chile, acho que só teve uma vez que fiquei mais de um ano sem ir lá. E já teve ano que fui 5 vezes! Apesar de ter crescido no meio da cultura brasileira, minha mãe sempre foi muito chilena nas suas coisas e em casa mantivemos nossos costumes, tanto em comidas, celebrações, etc. É engraçado falar isso, mas tem muita coisa do Brasil que não absorvi e muita gente acha estranho, por exemplo: comer arroz, feijão, carne. Isso nunca fez parte da minha rotina, tipo dia a dia mesmo. Couve? Comi pela primeira vez depois de velha. Tem várias outras coisas que nunca provei, vi ou vivi e me sinto uma verdadeira gringa kkkk. Em contrapartida, só como abacate com sal, tem o horário da “once” (chá da tarde, mas esse não cumpro muito), curvo os cílios com uma colher, meu cachorro quente tem que ter tomate abacate e maionese e ainda solto uns palavrões em espanhol. É uma divisão que existe em mim e acredito que jamais conseguirei soltar as minhas raízes. E não acho isso ruim, na verdade gosto desse vínculo com minha terra apesar de ser doído por várias vezes. Doí quando estou lá e tenho que voltar, apesar de amar voltar pra casa. Fico feliz quando o avião chega no Chile e vejo a bandeira, mas celebro em português e ligo na Globo quando chego em casa. Torço pro Chile ganhar no futebol, mas não quero que o Brasil perca. Dá pra entender a minha luta interior? Complicado rs

Formei em Administração, fiz pós graduação em Negócios Internacionais (acho que isso explica o eBay na minha vida kkkk), especializei em Comércio Exterior mas trabalhei pouco com isso. Foquei durante muito tempo em Gestão da Qualidade Total (aquela tal de ISO) e estava nisso quando o blog nasceu e cresceu. Tenho flexibilidade de horários na empresa o que me permite fazer as duas coisas, mas cada dia fica mais difícil. Essa é outra briga interna, me dedicar 100% ao blog ou tentar fazer as duas coisas? Uma me dá mais garantia de futuro, a outra me dá prazer. fácil não rsrsrs

Querem saber mais conflitos interiores? Devem estar pensando que sou louca mas sou não, só tenho vontade de provar tudo e viver intensamente o que a vida oferece.

Há alguns anos cismei que queria morar nos USA. Meu sonho era NY, afinal sou fã de Friends de carteirinha e queria provar algo naquele estilo. O destino me mandou pra Florida, mais especificamente para Boca Raton com uma turma de 30 brasileiros! Fui trabalhar naquele esquema de emprego temporário, por 6 meses, num clube de golf. Era pra ser hostess (recepcionista) mas acabei sendo Server Assistant. Sim, ajudante de garçom. Ganhava um salário de 8 dólares a hora se não me engano e torrava tuuuuuuuuuuuuuuuudo na TJ Maxx, na Ross e na Marshall’s ou quando ia passar meu dia livre no Sawgrass (um outlet gigante que tem por lá). No começo odiei meu trabalho semi escravo, limpar mesas, arrumar a mesa, lustrar taças, secar talheres, mas meu auge foi quando me mandaram para a cozinha do clube. Não faltava café fresco e nem bolinha de manteiga hahahaha. Foi uma experiência única, que me fez crescer absurdamente e me mostrou que o mundo não era cor de rosa. Cheguei a trabalhar 17 horas seguidas em um Reveillon, meus pés viviam permanentemente inchados e ganhei uma hérnia na cervical pelo peso das bandejas. Conheci gente da Holanda, Colômbia, Itália, Bulgária, Peru, Inglaterra, Coréia e era maravilhoso fazer parte desse grupo tão eclético. Inclusive hoje tenho grandes amigos que surgiram nessa época e que mantenho forte contato. Um em cada canto, mas tudo aqui juntinho de mim. Ah, e minha jornada nos USA terminou onde? Em NY! Fiquei pentelhando 3 amigas para irmos conhecer a Big Apple quando acabasse a temporada e foi FANTÁSTICO! Eu olhava tudo como se fosse uma criança sabe? E acabei de torrar todos meus dólares por lá rsrs. Depois disso peguei vício de NY e fui por 7 anos seguidos.

Quem me achar finge que não viu tá?

Depois voltei ao Brasil mas eu já não era a mesma. A cabeça abriu um tanto e vi que o mundo era enoooooooooorme, muito divertido e capaz de ensinar muita coisa que “plantada” no mesmo lugar eu jamais aprenderia! Por isso sempre falo: se tiver a oportunidade de ir morar fora por um tempo, vá. Não se perde nada, só se ganha. É uma coisa que todo mundo deveria fazer na vida!!!!

O que mais posso contar??? Hum… bom, 5 anos atrás eu estava ociosa no Chile, fiquei lá um tempo por um motivo sério e foi uma época muito difícil (coisa de saúde, mas não precisamos entrar em detalhes, hoje graças a Deus está tudo perfeito). Como não tinha nada para fazer, estava viciada em maquiagem, tinha acabado de fazer um curso de Consultoria de Imagem e queria espalhar todas essas novidades, criei o Futilish.

Era meu quarto ou quinto blog, mas todos os outros não passavam de um post rsrsrs. Eram bem amadores e dessas vez queria fazer mais bonitinho, com um .com só meu. Lembro que meu irmão me pressionou quando pedi para ele montar o blog pra mim:

Como vai chamar?

– O blog?

– É ué, tem que ver se tem o domínio disponível.

– Domínio?

– É… o endereço do site… o www

– Ah… não sei

– Você vai falar sobre o quê? Pinturitas (maquiagem rs), sapatos, esses trecos?

– Sim, coisa de mulher..

– Coisa fútil né (não briguem com ele, mas sim, era por aí mesmo)

Daí pensei: “fútil… como que fala fútil em inglês? Não, não vai ficar legal… Tem que ser algo tipo “afutilizado”… Hum… quando uma menina se veste como menino diz que é boyish, o tal do ish parece que determina um estado de algo… FutilISH… parece legal…”

– Fran, Futilish tá disponível?

Estava. E nasceu o Fufu. O resto vocês já conhecem.

Bom, acho que deu para vocês conhecerem um pouquinho mais de mim! Não sou muito de falar da vida pessoal porque acho uma exposição danada, mas sei que gera muita curiosidade. Um dia a gente senta pra um café e conto mais detalhes! (E isso é verdade, tenho um projeto bem legal  que vai deixar a gente mais perto ainda 😉 )

E parabéns pra mim e todas as cancerianas!

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