Comportamento
Chora Que Eu Te Escuto
16 fev 2018, 72 comentários

Chora Que Eu Te Escuto – Versão Aniston

Uma moça chamada Jennifer Aniston, que concordou em ter seu nome publicado, me mandou um chora. Que na verdade não sei se é chora ou sorria. Na verdade, li a historia dela, e optei por relatar em duas partes. Um Chora e um Sorria, vocês escolhem qual comentar.

Chora – Jennifer

Olá Cony, tudo bem? Adoro o Futilish e te sigo desde o Comprey no Ebay. Vou te contar o que acontece comigo e queria sua opinião e das meninas. Me chamo Jennifer, tenho 49 anos mas não aparento a idade. Sou bem conservada! Gosto de me cuidar muito, faço yoga, tenho alimentação saudável, cuido bem da minha pele. Tenho algumas amigas, todas muito divertidas e bem sucedidas. Você já deve ter ouvido falar sobre a Sheryl (Crow), a Courtney (Cox) e a Chelsea né? São mulheres fortes e empoderadas. Eu também sou bem sucedida… tenho uma carreira de sucesso, reconhecida, apesar de as vezes sentir que fiquei presa no tempo por causa de um trabalho que fiz anos atrás e que todo mundo gostava. Mas tudo bem, foi esse trabalho que me impulsionou a ser tão reconhecida. Não posso reclamar. As vezes penso em voltar a fazer o mesmo job, mas não sei se seria legal. As pessoas que trabalhavam comigo também tem essa dúvida. Claro que alguns estão bem melhores que os outros, mas é complicado juntar todo mundo né? Enfim, esse é assunto para outro chora, o de hoje tem a ver com minha atual situação sentimental.

Vou voltar um pouco no tempo. Em 2000 me casei com um cara que eu amava muito. Ele era lindo (ainda é, mas digamos que o tempo passa para todos né? rs), cobiçado, famoso, divertido. Ele estava no auge da fama, beleza, juventude e eu também. Éramos o par perfeito. Todos nos viam como o casal dos sonhos. Jovens, lindos, com dinheiro. Sim, essa era nossa vida. Eu sentia que aquele amor seria eterno, apesar de termos alguns objetivos diferentes mas enfim, com o tempo eu achei que tudo se ajeitaria e o que tínhamos era mais forte que qualquer diferença de opinião.

Um belo dia ele foi convidado para fazer um trabalho. Nisso tínhamos cerca de 4 anos de casamento. O trabalho dele era ok, apenas mais um, mas algo me dizia que eu tinha que abrir os olhos. Tinha uma moça que a principio eu não ligava muito mas começou a me incomodar. Ela é muito bonita e tinha uma fama, digamos, bem liberal quanto aos seus relacionamentos. Tudo bem, eu confiava no meu marido mas algumas coisas não estavam bem claras. Começamos a ter problemas até que um ano depois nos separamos. E adivinha??? Pouco tempo depois ele começou a namorar com a moça do trabalho.

Meu mundo caiu. Fiquei muito triste e tive que lidar com as pessoas tendo pena de mim pois afinal eu aparecia como a mulher traída e que foi trocada por outra, talvez mais bonita, mais sexy, mas isso não me importava. Também começaram a falar muito de mim, que eu era a chata, que eu não queria ter filhos e que ele queria e por isso procurou outra. Enfim, sofri muito e me senti muito mal em ver o meu relacionamento na boca de todo mundo e cheio de especulações.

Tentei namorar outros caras, alguns bem interessantes mas nada ia pra frente até encontrar meu último namorado, uns 6 anos depois da minha separação, e acabei me casando com ele. Um cara bacana, também do meu meio profissional, muito bonito, educado, centrado. Enquanto isso, tive que lidar com o ex, que casou com a colega de trabalho e teve 6 filhos! Sim, 6 filhos! Claro que isso me incomodava um pouco, ainda mais porque as pessoas continuaram associando minha imagem a dele. Meu segundo casamento foi bom, tivemos momentos muito felizes, compramos uma casa linda, decoramos ela toda, éramos felizes nós dois e nosso cachorro, mas infelizmente, esse casamento também não deu certo, viramos amigos e não existia mais a relação homem/mulher. Nos separamos no final do ano passado porém desta vez sem muito alarde nem especulações. Continuamos amigos mas confesso que estou triste. O que será que acontece comigo? Por que não consigo alguém para a “vida toda”? Agora, depois que me separei, muita gente quer que eu volte com meu primeiro marido, acham que somos o casal perfeito, ele até me pediu desculpas pelo que me fez passar mas não consigo pensar nisso ainda.  Soube que ele estava bebendo muito, tem a ex mulher, os 6 filhos e sabe como é né… a confiança acabou. Estou cansada de ser a coitadinha, a que não consegue um amor firme, a problemática, a “tão bonita e rica mas tão azarada no amor”. Não sei como sair dessa situação e nem sei porque minha vida sentimental dá tão errado, me ajuda por favor.

Sorria – Jennifer

Olá Cony, tudo bem? Adoro o Futilish e te sigo desde o Comprey no Ebay. Vou te contar o que acontece comigo e queria sua opinião e das meninas. Me chamo Jennifer, tenho 49 anos mas não aparento a idade. Sou bem conservada! Gosto de me cuidar muito, faço yoga, tenho alimentação saudável, cuido bem da minha pele. Tenho algumas amigas, todas muito divertidas e bem sucedidas. Você já deve ter ouvido falar sobre a Sheryl (Crow), a Courtney (Cox) e a Chelsea né? São mulheres fortes e empoderadas. Eu também sou bem sucedida… tenho uma carreira de sucesso, reconhecida, apesar de as vezes sentir que fiquei presa no tempo por causa de um trabalho que fiz anos atrás e que todo mundo gostava. Mas tudo bem, foi esse trabalho que me impulsionou a ser tão reconhecida. Não posso reclamar. As vezes penso em voltar a fazer o mesmo job, mas não sei se seria legal. As pessoas que trabalhavam comigo também tem essa dúvida. Claro que alguns estão bem melhores que os outros, mas é complicado juntar todo mundo né? Confesso que tenho sérias dúvidas de voltar a esse job. Passado é passado e fiquei tão marcada por isso que prefiro deixar pra trás mesmo.

Bom deixa te contar o que aconteceu. No ano 2000 me casei com um cara que eu amava muito. Ele era lindo (ainda é, mas digamos que o tempo passa para todos né? Inclusive tenho achado ele bem acabadinho ultimamente), cobiçado, famoso, divertido. Ele estava no auge da fama, beleza, juventude e eu também. Éramos o par perfeito. Todos nos viam como o casal dos sonhos. Jovens, lindos, com dinheiro. Sim, essa era nossa vida. Eu sentia que aquele amor seria eterno, apesar de termos alguns objetivos diferentes mas enfim, com o tempo eu achei que tudo se ajeitaria e o que tínhamos era mais forte que qualquer diferença de opinião.

Um belo dia ele foi convidado para fazer um trabalho. Nisso tínhamos cerca de 4 anos de casamento. O trabalho dele era ok, apenas mais um, mas algo me dizia que eu tinha que ficar esperta. Tinha uma mulher, que a principio eu não ligava muito, que começou a me incomodar. Ela é muito bonita e tinha uma fama, digamos, bem liberal quanto aos seus relacionamentos. Fiquei sabendo que ela até teve relações com o irmão dela, nesse nível! Mas vai saber se é verdade né? Tudo bem, eu confiava no meu marido mas algumas coisas não estavam claras. Começamos a ter problemas até que um ano depois nos separamos. E adivinha??? Pouco tempo depois ele começou a namorar a dito cuja!!!

Fiquei com ódio, sabia que ali tinha treta mas deixei a conta com o destino. Eu sabia que aquilo seria um carma para eles e eu não precisaria me preocupar. Fui viver minha vida. Trabalhei mais do que nunca, namorei MUITO! Conheci um monte de caras bacanas, lindos, e aproveitei cada um deles. Como TODO MUNDO fica sabendo o que eu faço (e isso é um saco), a cada término o povo achava que eu estava sofrendo, que eu era uma coitada. Ah deixei eles falarem o tanto que queriam, mal sabem que eu faço degustação e por isso não me prendo a ninguém que eu não ache 100% legal pra mim! Pra que me stressar? Tenho trabalho, condições, amigos maravilhosos, não tenho pressa com nada, apenas quero ser feliz e estar em paz comigo mesma. Até me questionavam pelo fato de eu não ter filhos ainda e achavam que isso era um peso para mim. Não posso engordar um pouco que já começam a falar que tô grávida. Acredita que tive que fazer uma carta falando sobre minha opção pra ver se o povo me deixa em paz? Vou mandar pra você o que escrevi.

Enfim, achei um cara bacana, namoramos um tempo, até casamos, mas a relação foi esfriando e viramos amigos, quase irmãos. Não é isso que quero, não estava feliz e resolvemos nos separar, numa boa. Gosto muito dele e continuamos amigos. Só que lá vem a galera de novo falando que sou azarada, coitada, que não dou certo com ninguém. Gente, dou certo sim! Tive dois casamentos e vários namoros, deu certo enquanto durou ué! E ainda ficam falando que eu deveria voltar pro meu ex, até ele veio falar comigo e pedir desculpas acredita?? Não quero nem saber, o tempo dele já foi, não me interessa mais. Até escuto o que ele fala, mas entra por um ouvido e sai pelo outro. Estou livre novamente, continuo linda, continuo boa no meu trabalho, cheia de amigos e não vou deixar me abalar por um casamento que não deu certo muito menos voltar pro embuste do meu ex.

Ah, deixa te mostrar a carta que escrevi quando me cobravam por não ser mãe.

“Vou começar dizendo que responder a fofocas é uma coisa que nunca fiz. Não gosto de alimentar esse negócio movido a mentiras, mas resolvi tomar parte em uma discussão mais ampla que já começou e precisa continuar. Como não estou nas redes sociais, decidi registrar meus pensamentos aqui por escrito.

Para que fique bem claro: não estou grávida. O que estou é de saco cheio. Estou de saco cheio da fiscalização de corpos e humilhação de pessoas que acontecem diariamente disfarçadas de “jornalismo”, “liberdade de expressão” e “notícias sobre celebridades”.

Todo dia meu marido e eu somos assediados por dezenas de fotógrafos agressivos que ficam postados diante de nossa casa e se prestam às façanhas mais chocantes para obter qualquer tipo de foto, mesmo que isso implique em nos colocar em perigo ou arriscar a segurança dos transeuntes azarados que porventura estejam por perto. Mas, deixando de lado o aspecto da segurança pública, quero falar da questão mais ampla do que esse ritual insano dos tabloides representa para todos nós.

Se para algumas pessoas aí fora eu sou algum tipo de símbolo, está claro que sou um exemplo da lente pela qual nós, como sociedade, enxergamos nossas mães, filhas, irmãs, esposas, amigas e colegas. A objetificação e a atenção minuciosa à qual submetemos as mulheres é absurda e perturbadora. O modo como sou retratada pela mídia é um simples reflexo de como enxergamos e retratamos as mulheres em geral, avaliando-as em comparação com algum padrão deturpado de beleza. Às vezes os padrões culturais só precisam de uma perspectiva diferente para que possamos identificá-los como o que realmente são: uma aceitação coletiva; uma concordância subconsciente. Somos nós que mandamos em nossa concordância. As garotinhas em toda parte absorvem nossa concordância com esses padrões, quer seja passiva ou não. E esse processo começa muito cedo. A mensagem é que as meninas não são bonitinhas a não ser que sejam magérrimas, que elas não são merecedoras de nossa atenção se não tiverem cara de supermodelo ou de uma atriz de capa de revista, e isso é algo que todos nós estamos reforçando conscientemente. Esse condicionamento é uma coisa que as meninas então levam para a idade adulta. Usamos as “notícias” sobre celebridades para perpetuar essa visão desumanizadora das mulheres, uma visão focada unicamente na aparência física, uma coisa que os tabloides convertem em um placar esportivo feito de especulações. Será que ela está grávida? Será que anda comendo demais? Ela ficou desleixada, deixou de se cuidar? Será que o casamento dela anda mal, já que a câmera detectou alguma “imperfeição” física?

Antigamente eu dizia que os tabloides são como gibis, algo que não é para ser levado a sério, tipo uma novela que as pessoas acompanham quando precisam de uma distração. Mas não posso mais pensar assim, porque a realidade é que a perseguição e objetificação que eu venho sofrendo em primeira mão há décadas refletem o cálculo deturpado que fazemos do valor de uma mulher.

Este último mês, em especial, deixou muito claro para mim até que ponto definimos o valor de uma mulher a partir de seu status conjugal e maternal. O dinheiro e os recursos que estão sendo gastos pela imprensa simplesmente para tentar descobrir se estou ou não grávida (pela enésima vez… mas que diferença faz?) mostram como está sendo perpetuada essa ideia de que as mulheres são de alguma maneira incompletas, mal sucedidas ou infelizes se não forem casadas e não tiverem filhos. Durante este último ciclo entediante de notícias sobre minha vida pessoal ocorreram chacinas, incêndios florestais, decisões importantíssimas da Suprema Corte, uma campanha eleitoral presidencial e um sem-número de questões muito mais dignas de virar notícias, coisas com os quais os supostos “jornalistas” poderiam se ocupar.

O que penso sobre esse assunto é o seguinte: somos completas com ou sem parceiro, com ou sem filhos. Quando se trata de nossos corpos, nós, mulheres, podemos decidir por nós mesmas o que é belo ou não. Essa decisão cabe a nós e a mais ninguém. Vamos tomar essa decisão por nós mesmas e pelo bem das mulheres jovens deste mundo que nos têm como exemplos. Vamos tomar essa decisão de modo consciente, longe do barulho dos tabloides. Não precisamos ser casadas para sermos completas. Somos nós que temos que determinar nosso próprio “felizes para sempre”.

Já me cansei de fazer parte desta narrativa. Sim, pode ser que eu vire mãe algum dia, e, já que não estou escondendo nada, se isso acontecer, serei a primeira a contar a vocês todos. Mas não estou me esforçando para virar mãe porque eu me sinta incompleta de alguma maneira, como nossa cultura de notícias sobre celebridades quer fazer todo o mundo pensar. Fico revoltada quando tentam me fazer sentir que estou “valendo menos” porque meu corpo está mudando e/ou porque comi um hambúrguer no almoço e fui fotografada de um ângulo ruim e por isso alguém achou que eu estou grávida ou estou gorda. Sem falar no constrangimento de ser parabenizada por amigos, colegas de trabalho e desconhecidos por minha gravidez fictícia (às vezes dez vezes num único dia).

Com meus anos de experiência, já aprendi que as práticas dos tabloides não vão mudar, por perigosas sejam, pelo menos não no futuro próximo. O que pode, sim, mudar, é nossa consciência das mensagens nocivas ocultas dentro dessas reportagens aparentemente inofensivas que nos são apresentadas como sendo verdades e que moldam nossa visão de quem somos. Somos nós que temos que decidir até que ponto acreditamos no que nos é mostrado. Quem sabe algum dia os tabloides sejam obrigados a enxergar o mundo por uma ótica diferente, mais humanizada, porque os consumidores terão cansado de acreditar nas mentiras.”

  • Gente, não usei drogas e nem bebi. São apenas devaneios de uma mente criativa. E fã da Jen.
  • Chora fictício, elaborado com informações coletadas na midia,  porém a carta aberta foi realmente escrita por Jennifer Aniston. E ela arrasou nas palavras né?
  • AHHHH, CHORAS ABERTOS. Mandem seus casos. Reais por favor.