Comportamento
Cotidiano
26 out 2015, 141 comentários

Sobre o Drama do Anticoncepcional – Parte III, O Feedback do DIU

Já se passaram cerca de 5 meses que me livrei da pílula anticoncepcional (para quem não acompanhou a minha decisão e a discussão sobre o porque disso, leiam este post) e optei pelo DIU de cobre. Sim, de cobre, de ferrinho mesmo, pois o outro DIU (Mirena) contem hormônios e minha escolha era me libertar de qualquer tipo de hormônio.

Holding an IUD birth control copper coil device in hand, used for contraception - side view

Segue um resumo rápido para quem estiver com preguiça de ler os post antigos (se eu fosse você leria, inclusive os comentários): me sentia mal com os hormônios, muita dor de cabeça, escape (ou spotting) direto, muita celulite, dificuldade para emagrecer, libido abaixo de zero, vasinhos nas pernas e aquele medo constante de ter um AVC a cada dor de cabeça que sentia. E por aí vai.

Depois de muito insistir com meu médico, consegui convencê-lo que o DIU de cobre era minha decisão final e ele não teve muita escapatória. Muitos médicos se recusam a colocar em mulheres que nunca tiveram filhos, mas eu fui firme e consegui fazer valer minha vontade.

Por o DIU é simples e rápido, mas não vou mentir falando que não dói. Dói sim, uma pinçada láaaa no fundo, literamente, que deixa a gente tensa. Mas passa rápido e pronto, ir pra casa. Tem mais informações sobre esse procedimento no post que linkei aí em cima.

E fui pra casa. Tive um pouco de cólica, um pouco de escape, mas não durou muito.

Agora vou contar o que mudou na minha vida.

Se antigamente, usando pílula, meu ciclo durava 4 dias e a quantidade era ok, com o DIU passou a durar de 8 a 10 dias e um fluxo que me fazia pensar que estava tendo hemorragia e iria ficar anêmica. Não sinto cólicas, mas o lance da quantidade anormal do fluxo realmente me chateou muito. Achei que com o tempo iria diminuir, mas isso não aconteceu. Para vocês terem uma idéia, eu usava absorvente interno daqueles para fluxo super intenso AND absorvente noturno (que é praticamente uma fralda), os dois juntos, e ainda assim vazava. E não vazava pouco não! A ponto de eu ter que parar tudo e ir tomar banho na hora! Muito tenso, ficava com medo até de sair na rua e digamos que ficar assim durante mais de uma semana por mês é muito chato. Não teve santo coletor que resolvesse, ALIÁS, desisti do coletor mesntrual. Nunca consegui colocar direito e vazou toda vez, cansei de tentar. Voltei ao médico e falei sobre isso e ele me passou um remédio que diminuiu o fluxo, o que para mim foi a glória. Voltei para meu ciclo de 5 dias e fluxo normal. O remédio não tem hormonios então continuei de boa… só acho que já deveriam passar esse remédio (ou comunicar a existência dele) assim que a gente põe o DIU né?

Tirando essa parte chata, de resto estou quase satisfeita. Minha celulite diminuiu MUITO! Ok que não sumiu (nem esperava isso) mas quando estava tomando hormônios, tinha celulite até na parte da frente da coxa, e agora não mais, só dos lados e atrás mesmo rs. O considerado normal.

Minha libido melhorou (êeeeeee, namorado agradece), minhas dores de cabeças estranhas sumiram, mas não emagreci. Ok que fiquei dois meses na Itália comendo pizza no café da manhã e bebendo Spritz no jantar, tenho que ter vergonha na cara também né? Mas imaginem se estivesse ainda com a pílula? Talvez estaria muito pior… e também tem meses que não malho. Preciso de incentivo, me ajudem?

Outra coisa que aconteceu e que eu sabia que iria acontecer: a pele piorou, como se fosse possível, mas tenho que ser sensata. Obviamente a oleosidade aumentou muito, tanto na pele quanto no cabelo (agora sou o brilho em pessoa 🙁 ), apareceram algumas espinhas, mas sinto que meu melasma clareou um pouco… Pode ser coincidência, pode ser o ácido tranexâmico que apliquei no local (com canula!), mas pode ser pelos hormonios também.

Me sinto muito melhor agora, isso sem dúvida nenhuma. Não estou nem um pouco arrependida da minha escolha pelo DIU, apesar de toda oleosidade, mas sinto meu corpo ¨limpo¨sabe? Era muita neura minha, mas a cada pílula que tomava, sentia que estava alterando algo do meu corpo… Tipo colocando um agrotóxico numa planta. Adoraria que esse sentimento se estendesse a alimentação também, mas com os hormônios do anticoncepcional eu sentia a mudança no meu organismo, no meu humor, em minha fisiologia. Fora o medo do AVC. Sim, cismei com isso.

  • Enfim, não é tudo maravilha com o DIU, mas com certeza é ¨menos pior¨. Sobre o medo de engravidar (os famosos filhos do DIU), não tenho. É só fazer os exames regulares e ver se está tudo no lugar!
Comportamento
29 maio 2015, 168 comentários

Sobre o Drama do Anticoncepcional – Parte II

Lembram deste post falando sobre a minha indecisão com os tipos de anticoncepcionais existentes? Foi maaaara, mais de 600 comentários, todo mundo papeando, dando seu ponto de vista, contando sua experiência… enfim, achei fantástico.

Pois bem, larguei da pílula e usei o anel (Nuvaring) por 4 meses. Posso falar? Achei ótimo. Prático, fácil de usar, não sentia nada, o namorado também não, preço ok (e dá para fazer um cadastro no laboratório com descontos progressivos), nenhuma neura com ter que lembrar de tomar comprimido todo dia… Tive um pouco de escape no começo (ou como algumas pessoas chamam, spotting, aquele sangramento que não é menstruação e que enche a paciência), mas depois parou. Tava tudo ok com o anel e só tinha uma reclamação: fortes dores de cabeça. Todo mês aparecia uma dor de cabeça bem chata e que me deixava preocupada, afinal, durante esses últimos meses apareceram muitas reportagens sobre os perigos dos anticoncepcionais com hormônios. Fiquei encucada e outra coisa: continuava cheia de celulite, dificuldade para emagrecer e libido baixa.

Marquei novamente com meu ginecologista (eu já tinha pedido DIU de cobre, mas ele não deixou pelo fato de eu nunca ter tido filhos e poderia ter alguns problemas ou não me adaptar), sentei bem séria na frente dele e falei: Dotô, cansei, quero por DIU. Ele olhou pra mim, pegou na minha mão (isso é verdade, aconteceu desse jeitinho) e falou: “Constanza… Você é uma mulher inteligente, entendida das coisas, estudada… Sei que você pesquisou muito sobre isso, você tem certeza?” Falei na hora: Claro que tenho! É o que mais quero na vida! E ele falou que tudo bem, que iria por o DIU Mirena! Opa opa opa, dotô, o senhor não entendeu. Não quero mais hormônios em minha vida. Por mais que o DIU Mirena tenha ação hormonal local, ainda assim tem os tais hormônios que não me deixam tranquila. Ele relutou mas por fim consegui convencê-lo pelo DIU de Cobre.

Holding an IUD birth control copper coil device in hand, used for contraception - side view

Tive que ficar um mês sem tomar nenhum tipo de anticoncepcional, então dei adeus ao anel e me preparei para o DIU. Confesso que durante esse tempo pensei um pouco, deu um medinho, bateu aquela insegurança afinal é algo que pode ficar de 5 a 10 anos dentro do corpo mas lembrava como minha vida era boa sem anticoncepcional (fiquei quase 2 anos sem nada) e logo me animava novamente.

Chegou o grande dia e eu estava no último dia da mestruação (tem que por o DIU menstruada, pois o útero está dilatado, algo assim). Fui toda contente, saltitante e serelepe pro médico, coloquei a batinha e fui pra sala. Lá vi uma bandeja CHEIA de aparelhos como pinça gigante, tesoura, e outras coisas de metal. Pirei né? Dotô, pra que isso tudo??? É cirurgico??? Ele me acalmou e disse que era rápido porém que poderia sentir algo de dor.

Acontece que para por DIU é necessária certa “profundidade” do útero e precisam medir usando um instrumento de metal comprido, tipo uma régua em formato de agulha de tricô. E isso dói. E nesse momento pode acontecer um desmaio (tem um nome certo, mas esqueci) ou até alguns minutos depois de pôr o DIU. Bom, profundidade ok, ele pôs o DIU e senti uma coliquinha. O DIU – que tem formato de T – fica dobrado dentro de um êmbolo que é inserido na vagina e quando alcança o lugar que deve ficar, é liberado. Pronto! Fui enDIUsada! O ápice da dor foi só na hora da medição e um leve desconforto na “instalação” em si.

Levantei, botei minha roupinha, o dotô me deu um anti inflamatório e um para dor, falou que eu sentiria algumas cólicas nos próximos dias e pronto. Ah, pediu para ficar 15 minutos sentadinha na sala de espera, por causa daquele possível desmaio. Não desmaiei e fui pra casa.

Foram 15 dias sem namorar, uma semana sem malhar e 15 dias com escape mais intenso. Tive cólicas praticamente todos os 15 dias, mas bem de leve. Voltei ao médico para ver se estava tudo bem e estava. Meu maior medo era a primeira menstruação pós DIU, já que muita gente fala de cólicas insuportáveis e fluxo anormal. Pensei em só escrever este post quando isso acontecesse e com muita surpresa venho contar que praticamente não tive cólicas! NADA! Quanto ao fluxo, sim, ele parece ser mais intenso mas como agora sou natureba, estou testando o tal coletor menstrual que não dá para ter muita noção de quantidade. Acho que ainda não me adaptei bem ao coletor, pois o meu vaza. Ou meu fluxo é absurdo mesmo rs. Enfim, isso é assunto para outro post (mas quem tive experiência com coletores menstruais pode comentar aqui também).

É um processo chatinho e espero que compense com o passar do tempo. Espero ficar livre do spotting, conseguir tratar as manchas (os hormônios da pílula pioram o melasma e não deixam eles serem combatidos eficazmente), emagrecer, sumir com a celulite, conseguir aumentar meu nível de testosterona (que estava quase negativo), ficar mais animada e claro, não achar que terei um AVC a cada dor de cabeça. É uma preocupação a menos!

Eu sei que cada caso é um caso. Eu ainda acho anticoncepcional hormonal muito perigoso, além de todas as alterações físicas que ele acarreta e o tanto que deixa nosso corpo desregulado. Isso acontecia comigo, mas existem mulheres que amam e ficam ótimas. Nunca me dei bem com a pílula e tô feliz que consegui por o DIU de cobre! Ah, sobre as espinhas (testorenona no lugar e falta dos hormônios da pilula podem ocasionar acne, principalmente em quem tem Sindrome do Ovário Policístico) comecei imediatamente a tomar espirinolactona e até o momento, zero espinha! Êeeee, continuemos observando!

  • PS: tchau hormônios.
Beleza
Novidades de Beleza
18 nov 2014, 661 comentários

La Maldita Pílula

Prevejo que hoje o dia será de muito papo entre nós e tô doida pra ler cada comentário. Bom, vamos começar o assunto do dia: anticoncepcional. Vou contar um pouco da minha história e da minha terrível indecisão por qual método contraceptivo usar.

pilulas-anticoncepcionais-duvidas1

Comecei a tomar esse veneno (sim, veneno, e logo mais saberão o porque de tamanho ódio) bem nova, com cerca de 17 anos, quando tive minha primeira menstruação (minha infância foi eterna kkkkk) e fui diagnosticada com ovário policístico. Nunca fui regular e chegava a ficar 2 meses sem menstruar então a pílula veio me ajudar com isso. Lembro de ter tentado a Diane 35 e passei muito mal, então desde sempre soube que as dosagens hormonais para mim tinham que ser as menores possíveis. Durantes anos ininterruptos tomei vários anticoncepcionais, sempre mudava quando sentia minha pele encher de espinhas (que é o sintoma do SOP que mais aparece em mim) pois parecia que o corpo acostumava sabe? E eu sentia a necessidade de mudar… Tomei Mercilon por muitos anos, Minesse, Yasmin, Selene, Level, Belara, Femiane, Harmonet… Depois estacionei alguns anos com Yaz e parei de tomar pílula por quase 3 anos (no final do namoro passado, época turbulenta, cheia de dúvidas e depois que fiquei um ano solteira). Foram os anos mais felizes da minha vida. Soube que eu podia ser uma pessoa sem celulite, perna dura e lisa, soube que poderia emagrecer mais rápido, mas também soube o que era menstruação de verdade, cólicas, pele oleosa e espinhas monstruosas no queixo.

É muito difícil falar sobre o assunto sem entender direito mas como consumidora posso dizer que os anticoncepcionais orais me fazem muito mal. Quando voltei a tomar, no final do ano passado, voltei com o Yaz mas logo mudei para outra pílula por indicação de um nutricionista. Sim, nutricionista. Errei, eu sei, e foi justamente quando comecei a ganhar mais peso e triplicar a celulite. Corri pro ginecologista e ele me disse que a tal pílula indicada não era para mim, que era para mulheres mais maduras, prestes a entrar na menopausa (palavras do meu médico ok?). Ela não deixa menstruar, é pílula contínua e na minha cabeça de vovó menstruar é necessário, é algo natural da mulher e que não deveria ser interrompido. Sei bem que essa minha visão é antiga, mas eu sinto isso. Odeio ficar “naqueles dias”, mas se não fico, meu psicológico me diz que tô sabotando meu corpo e vou ficar toda errada. Meu médico me disse que não tem nada a ver mas é coisa minha sabe? Enfim, troquei novamente de anticoncepcional para um com dosagem super baixa e que também interrompe a menstruação. No meu caso aconteceu o inverso, tomo há três meses e desde então tenho escape, aquele mini sangramento que incomoda horrores! Isso acontece justamente pela baixa dosagem de hormônios, ou seja, mais uma pílula que não me adaptei! Voltei ao gineco com uma reclamação muito simples porém de difícil solução: quero tomar um anticoncepcional que não me engorde, não me dê celulite, não me dê dor de cabeça estranha (como sinto com o atual e acho que vou ter um AVC a qualquer momento), mas também que não me dê espinhas, nem manchas, escape e obviamente, seja seguro! Existe?

Ele sugeriu o Mirena, um tipo de DIU que tem ação hormonal local, ou seja, os hormônios não ficam circulando pelo seu corpo. Ótimo, menos veneno certo? Acontece que justamente por essa ação, o Mirena pode ocasionar acne em quem é propensa, ou seja, eu. Além disso, me aconselhou para procurar outro profissional já que ele não colocava DIU em mulheres que nunca tiveram filhos.

Fui em outra ginecologista toda feliz, certa do Mirena, pois prefiro espinha a celulite (é desse jeito, tem que escolher o efeito colateral menos pior rs) e novamente levei um “não”. Ela também não coloca em mulheres que ainda não foram mães e listou um monte de motivos (lembro só de alguns: que pode ferir o útero – ou o colo, não sei – que pode dificultar a gravidez futura, que o corpo pode rejeitar, que pode inflamar, enfim…) e me deu outras opções: implante, adesivo ou anel.

Implante: uma pequena cápsula com hormônio etonogestrel que fica embaixo da pele. Dura de 6 a 3 anos e tem os efeitos colaterais que todos apresentam (sangramento por mais de cinco dias, amenorreia, acne, dor nas mamas, cefaleia, aumento de peso, dor abdominal, diminuição da libido, tonturas, dor no local implantado, náuseas e alterações no humor).

Adesivo: é um adesivo mesmo, colado na pele e contém progestogênio e o estrogênio. São três adesivos e tem que usar um por semana, para uma semana, menstrua e volta a usar. Tem que tomar cuidado com o lugar onde cola e cuidado para ele não sair. Acho estranho… Diz que tem pouco efeito colateral, mas em pessoas gordinhas a proteção fica comprometida.

Anel: é um anel flexível, de uns 4 ou 5 cm de diâmetro que se encaixa dentro do canal vaginal. Os hormônios são etonogestrel e etinilestradiol. Diz que após “instalar” o anel, ele se ajeita e a gente não sente nada (e nem eles, durante a relação). Ele libera hormônio por 3 semanas, daí você tira, espera uma semana, menstrua e coloca outro anel. Também tem os maledetos efeitos colaterais, inclusive ganho de peso e é altamente contra indicado para quem tem histórico de trombose. Eu não tenho, mas e o medo?

Além desses também existe a injeção (mensal ou trimensal com combinação de progesterona) e DIU de cobre, que NÃO tem hormônios (pensei seriamente nele) mas pode aumentar o fluxo menstrual, alguns falam que é abortivo, que pode dar infecção, além de não ser muito seguro. Acho que todo mundo conhece algum filho de DIU né?

Etonogestrel, Progestenio, Estrogenio, Etinilestradiol, Drospirenona, Desogestrel, Ciproterona, Estradiol, Levonorgestrel, tudo isso para mim é grego e ainda não consegui me acertar com eles. Não sei qual combinação é a ideal para mim e infelizmente os médicos vão testando, testando até ver qual é o “menos pior”. Enquanto isso a gente vai engordando, o humor altera, a pele ou fica ótima ou fica péssima, o corpo sofre alterações e em alguns casos, até AVC.

Tenho pesquisado bastante e tive boas impressões do anel (apesar das contra indicações). Me agrada o fato de não ter que lembrar todo dia de tomar a pílula mas me assusta – e muito – o risco de trombose. Ainda acho que quem tinha que tomar pílula era o homem, afinal a mulher é que engravida, carrega o bebê por nove meses, tem que amamentar e depois sofrer pro corpo voltar ao que era. Não custava nada eles ajudarem na contracepção kkkk.

  • Cada corpo é um corpo. Vejo gente que ama usar hormônios mais fortes (que pra mim foi péssimo), gente que emagrece com pílula (o que nunca aconteceu comigo), gente que se dá super bem com anel, Mirena, e gente que consegue não usar nada e ficar de boa! A busca pelo anticoncepcional adequado continua e minha solicitação continua a mesma: só não quero engordar nem me encher de celulites e espinhas, sentir as pernas pesadas e muito menos correr o risco de ter uma trombose. Se alguém souber de algo possível nesse quesito (que não seja não tomar nada rs), POR FAVOR, deixe seu comentário ou conte sua experiência com anticoncepcional!