28
May 2016
Um Chora Que Não Deveria Existir JAMAIS
Chora Que Eu Te Escuto

¨Esse é um desabafo dolorido. Depois das notícias sobre a menina estuprada por 30 no Rio, o embrulho no estômago não passava. Não passa, nunca. Então eu tinha que colocar pra fora todo esse sentimento, que já foi por tantos anos trabalhado em terapia, mas que nunca foi embora. E ler o meu relato, de alguma forma pode servir de exemplo para que outras mulheres, suas filhas, netas, nunca passem por isso.

Cresci numa família típica: mãe separada, duas filhas do primeiro casamento, eu a terceira de um caso que nunca se consumou em união pois meu pai era casado. Minha mãe foi por toda a minha vida a figura paterna e materna, meu pai era como um acessório, uma alegoria. Aparecia algumas vezes na semana, mas nunca foi a uma festinha dos pais na escola, um aniversário. Nenhum natal. Minha mãe sempre nutriu em nós o sentimento de auto-suficiência, de meter a cara e se virar sozinha, de não depender de homem nenhum, mas no fundo era extremamente carente e queria mesmo um homem pra chamar de seu. Era muito instável emocionalmente, tinha picos de depressão e tentou se matar por duas vezes (ou mais vezes, não sei).

Eu tinha 13 anos quando minha mãe já farta de insistir na história com meu pai, resolveu bater asas, fez amizade com um arquiteto que conheceu ao comprar um imóvel. Tinha a mesma idade que ela, e passou a frequentar a nossa casa. Era um cara do tipo “bon vivant”, vivia viajando, era gringo, colecionava mulheres e filhos, bebia todo dia, e naquela casa cheia de mulher se sentiu no paraíso. Eu chegava a ir com minha mãe pro mercado só pra comprar a bebida preferida dele. E aquela casa carente, sem nenhuma referencia masculina, gostar da presença daquele homem foi fácil. Saíamos todos os fins de semana com ele, churrascos na casa dele, conhecíamos todos os seus amigos, altas bebedeiras, bares pela madrugada… E eu, uma menina de 13 anos, ia junto! Minha mãe não enxergava o perigo, de tão sedenta por atenção que ela estava, minhas irmãs já eram adultas, eu aquela caçula com ótimas notas, que nunca aprontou, não dava trabalho nenhum…

Eu na minha inocência achava o máximo ser tratada como adulta. Poder frequentar ambientes adultos, ir a festas, varar a noite com gente tomando todas, e até arriscava os meus goles sem nenhuma reprimenda.

Juro que não notava um olhar diferente, achava mesmo que era o jeito daquele homem, todo latino, de dançar com a gente todo arrochado, que era normal. E se minha mãe permitia, é porque tava tudo bem, não é mesmo?

Até que um dia, num dos almoços na casa dele, minha família toda lá, eu estava num sofá deitada, ele veio e deitou comigo. Começou a se roçar em mim de um jeito estranho e terminou por me beijar. Um beijo de língua. Eu fiquei petrificada, sem saber se fugia, se aceitava. Eu o tinha como figura paternal, sabia como a minha mãe era caidinha por ele, minha irmã também já estava encantada, mas eu? Aí ele veio com a célebre frase: “Não conte pra ninguém, esse é o nosso segredo”.

Eu não contei. 

Os dias foram passando, o assédio ficou mais claro. Ele ligava com frequência pra minha casa quando sabia que minha mãe não estava, me chamava pra almoçar, eu mentia pra minha irmã, dizia que ia ver uma amiga e saía. Ele se declarava, dizia que comigo se sentia um adolescente, que eu era o amor da vida dele, a menina mais linda do mundo. Um dia tentou ter sexo comigo num estacionamento, mas percebeu pelo meu pânico que eu era virgem e então insistiu para que eu criasse uma festa imaginaria para ir e podermos ter uma noite especial. Eu não sabia o que fazer, fiquei com medo, minha irmã tinha engravidado na adolescência, mas o assédio dele era tão convincente pra mim, uma menina sem nenhuma atenção e cuidado da minha família, que aceitei. Menti que ia para uma festa de quinze anos, fui ao salão, fiz cabelo, pedi pra minha irmã me maquiar. Entrei no carro dele escondido na esquina e o resto vocês já imaginam. Bebi algumas coisas fortes na casa dele, não sei o que eram, talvez aguardente. Fui deflorada. Não houve violência. Não me lembro. Não senti dor. Não guardei na memória aquela primeira vez com o primeiro namoradinho sério. Guardei foi a cicatriz profunda do que veio depois.

Após o acontecido, o cara começou a sumir, não visitava a nossa casa com tanta frequência, mas sempre que o fazia não perdia a chance de me cercar, de meter a mão em mim, de me tratar como o objeto dele. Eu estava envolvida e confusa, e achava que era assim mesmo, nunca havia conversado sobre sexo ou primeira vez com nenhuma amiga na escola. Comecei a ir mal, minhas notas caíram, mas ninguém percebia nada, até que minha irmã mais velha percebeu algo estranho. Um dia minha mãe deu uma incerta e descobriu que eu saía para encontrá-lo às escondidas. Fez um escândalo comigo, me pressionou até eu confessar. Eu não consegui mentir por muito tempo, ainda mais pra minha mãe. Acreditei que no momento que falasse a verdade, ela iria me ajudar a sair daquilo e me defender. Ela fez justamente o contrário. Fui chamada por ela e por uma das minhas irmãs (que nunca foi muito envolvida naquele grupo, pois tinha namorado) de todos os nomes possíveis. Toda a minha família, amigos, foram informados do ocorrido, eu no papel de vilã, a filha vagabunda que resolveu dar pra homem mais velho. Minha mãe a vítima. Fui humilhada na escola, minha mãe chamou todas as minhas amigas para dizer que tinham que deixar de andar comigo porque eu não prestava, era puta. Passava pelos corredores da escola de freiras, todos a olhar pra mim. Fui exposta em exame de corpo de delito numa delegacia suja, um “médico” sem nem usar luvas a examinar minha vagina para ver se era ou não virgem. Fui entrevistada por uma delegada na delegacia de mulheres que ria, ao dizer “tenho filha da tua idade, sei das safadezas que vocês fazem, não venha dando uma de inocente pra mim não, tu é muito espertinha”, quando eu disse não lembrar como foi o defloramento. 

Como eu era menor, a lei admite a denúncia por estupro, por presunção de violência, e sedução de menores. Um processo foi instaurado, porém nunca deu em nada. Ele nunca foi preso, punido por nada. Me lembro que durante a investigação as agentes de polícia me diziam mil coisas, que o cara seria enquadrado, que já havia feito o mesmo com outras meninas, depois vi que era tudo um fantasia, histeria coletiva pra me torturar ainda mais. Mudei de cidade, comecei a cursar direito, mas o fantasma do passado me acompanhava. Minha mãe me “perdoou” na saúde, bastava uma discussão pra tudo vir à tona. Trouxe daquele tempo um namorado que era um dos melhores amigos do cara, ficou com ele muitos anos, nunca me ouviu e tirava a minha razão para dar a ele, que ia e vinha da nossa casa, sempre a enganar minha mãe. Até que um dia eu tive que sair de casa, pois ele deu um ultimato pois não me suportava por perto a tentar proteger a minha mãe.

Hoje sou casada e tenho duas filhas, ainda uma relação difícil com minha mãe, que já está velhinha e precisa de cuidados, mas vive longe de mim, que moro em outro país. Fiz muitos anos de terapia e retomei com a mesma profissional do início. Ela tem me ajudado muito a me ancorar, me valorizar e ter um bom relacionamento com minha família. Não guardo mágoas da minha irmã, mãe, ou quem me julgou e me abandonou quando precisei, pois minha natureza nunca foi de dar o troco. Apurei muito o meu senso de justiça, a faculdade de direito me curou nesse sentido. Aquele homem nunca foi punido, mas eu sim. Fui condenada pela minha inocência, por acreditar no papo de alguém que queria se aproveitar de mim. Fui violentada pelos olhares de reprovação, por cada xingamento que ouvi ao longo desses anos pelo que se passou. Aceitei meu papel de vítima depois de muitos anos após o ocorrido, mas nunca me vitimizei. Tenho os olhos nas costas e protejo as minhas filhas como leoa. Com elas isso nunca irá acontecer. Se depender de nós, o respeito e a compreensão, o amor sempre falará mais alto aqui em casa.

Milhares de pessoas julgaram a menina estuprada do Rio. Outros tantos partilharam vídeos e fotos. Como se fosse algo do cotidiano, pra passar batido. Mas não é. A cultura do estupro só acabará com educação, com apoio, com empatia. Hoje em dia é muito fácil xingar aquela menina que vai pra balada de vestido curto de piriguete, tá dando mole, fácil. É muito fácil ter um amigo pegador, é normal levar dedada no cu no carnaval, mas não é. É divertido fazer piada de Fabíola na manicure no whatsapp, mas não tem graça nenhuma. É corriqueiro acobertar o amigo que trai a namorada, ou que forçou uma transa com a tal piriguete da balada. Ignorar as crianças viciadas de 8, 9 anos vendendo sexo por um prato de comida ou uma pedra de crack nas ruas das grandes cidades. Faz parte da vida não fiscalizar as redes sociais das filhas pequenas e adolescentes, porque você própria não consegue administrar a sua própria vida. Não, não é. Não é normal, não é corriqueiro, não faz parte da vida. Todas nós somos vítimas, mas podemos ser agressoras também. Todos nós somos cúmplices se continuarmos a fechar os olhos pra desumanização, pro barbarismo nas sociedades.¨

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* Relato enviado ontem por uma leitora. Nada mais para o momento, onde atrocidades como a relatada acima acontecem todos os dias, em todos os níveis sociais, em todos os lugares. 

27
May 2016
Chora Que Eu Te Escuto!!!
Chora Que Eu Te Escuto

Gente tive uma ideia legal!!! (Eu e minhas ideias mirabolantes né? kkkk) Então. como recebi vários Choras e li TODOS, anotei o tema de cada um e vou fazer por assuntos!!! De três em três, por assunto. Quando ficarem sobrando Choras que não se encaixarem em tema algum, faço post com eles assim mesmo.

Bom, hoje o tema é: FAMÍLIA!

Caso 1 – Arya

¨Oi Cony! Pensei muito antes de mandar esse chora, mas como li todos e não consegui achar semelhança com nenhum, aí vai.
Tenho 28 anos, moro com a minha mãe e sempre tive um ótimo relacionamento com ela. Sempre fomos amigonas mesmo, desde a adolescência, nunca precisei esconder nada, sempre compartilhamos tudo. Meus pais são separados há 14 anos e desde então minha mãe tem os rolos dela e meu pai tbm. Só que, minha mãe conheceu pela internet um cara, conversou com ele durante anos, nunca se encontraram. Até que há 2 anos ele decidiu vir morar na nossa cidade (mais de 2 mil km da cidade dele) sem nada! Sem emprego, sem casa, sem dinheiro. Minha mãe não é rica, mas temos uma condição estável, moramos bem, temos carros, mas nada de muita folga. No início fiquei com os dois pés atrás, investiguei a vida do cara, porém não encontrei nada demais. Minha mãe meio que mudou nesse tempo, se tornou bastante ciumenta com ele, vivem brigando, ela se desgastando, já pegou várias mensagens dele com outras mulheres, mas acho que por carência ou até por gostar dele, ela “aceita”. Ele no início morou num apartamento que temos, obviamente sem pagar aluguel, atualmente conseguiu um emprego (ganhando bem pouco) e consegue se manter bem dificilmente. O fato é: o meu relacionamento com ela não é o mesmo. Eu não tenho ciúmes, só acho que ela tá se doando demais, financeiramente e emocionalmente pra um cara que não a valoriza. Mas sempre que eu tento falar isso, a situação entre a gente piora. Eis a questão: aceitar tudo isso e apoia-la nessa escolha ou continuar tentando fazê-la enxergar o óbvio?!
Beijo e obrigada pela ajuda!!¨

Arya, Arya, que díficil! Como fazer sua mãe ver que esse cara é UM FOLGADO! Se mudar pra sua cidade com uma mão na frente e outra atrás, morar em propriedade suas sem pagar e ainda ele ficar de mensagenzinha com outras mulheres? Menina, tem que trabalhar muito o amor próprio de sua mãe. Meu lado perverso faria um mini inferninho com esse cara até ele sumir da vida dela, mas como isso não é coisa que se aconselhe, acho que você vai ter que conversar muito com sua mãe sim, mesmo que a situação entre vocês duas piore. Fale com carinho, com amor, senta com ela, pega na mão dela, fala o quanto você a ama e o quanto quer o bem dela. Mostre para ela que esse cara só está se aproveitando, mas não fale CONTRA ele, fale a FAVOR dela. Diga o quanto ela merece um homem bacana, que some (de somar) à vida dela, que ela é linda, que é uma mulher batalhadora que merece o melhor, que ela pode ter TODOS os namorados do mundo, desde que façam ela feliz e a valorizem. Dá banho de loja nela, vai no salão, faz ela se sentir maravilhosa para ela conseguir enxergar o quanto é maior e mais poderosa do que esse cara que só quer sugar ela. Deixe claro que você está a apoiando, que se ela quiser continuar nessa, é uma opção mas que você está vendo que não está sendo bom e é sua obrigação como filha que zela pela mãe, avisar da enrascada que ela está se metendo e perdendo tempo e possibilidades de encontrar alguém a altura dela. Boa sorte migs…

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Para sua mami…

Caso 2 – Sansa

É o seguinte. Eu tenho 27 anos, moro com meus pais ainda.

O problema é a minha irmã. Ela tem 37 e saiu de casa com 20. Desde então sempre tem dado dor de cabeça aos meus pais. Aos 20 foi casamento, depois filho logo em seguida, divórcio, desemprego. Até que nos últimos tempos, ela inventou de morar com um cara, logo engravidou e separou dele também. Teve o meu sobrinho nº2, que está com um aninho. Aí arrumou um novo trabalho.

Desde então, ela tem ‘transferido’ algumas obrigações da criança para os meus pais e como eu trabalho em casa, consequentemente para mim. Pegamos ele na creche, damos janta, banho, cuidamos até a hora que ela volta do trabalho. Até entao, beleza. So que cada dia ela tem voltado mais tarde. Antes chegava as 7, agora é 8, 9, 10 da noite. A gota dágua foi quando ela se ofereceu para fazer um treinamento em outro estado por duas semanas e sequer perguntou a nossa opinião. Cheguei a ficar doente até, de tão exausta que fiquei. Claro que meus pais jamais negam ajuda a ela, mas acho isso uma baita folga em vários aspectos. Sem contar que no final de semana, ela, que mora 5 minutos a pé da minha casa, passa o dia todo aqui, só para cuidarmos do menino. Quando reclamo com o argumento de que: o filho não é meu, não fui eu quem fez, tenho que ouvir dos meus pais que sou obrigada a ajudar. Poxa, amo ser tia, mas ser tia como se fosse uma mãe, full time, tem me desgastado muito. Já tentei conversar com meus pais sobre, mas não tive sucesso. Minha outra irmã e meu cunhado vivem dizendo para eu tentar sair de casa para ‘me livrar’ dessas responsabilidades que não são minhas. Eu não consigo sair de casa no momento. Sou profissional liberal mas ainda não estou 100% estabelecida na minha profissão. Já tentei arrumar alguma coisa registrada, mas a crise só tem dificultado bastante. Estou fazendo cada vez mais coisas fora de casa para evitar esse tipo de trabalho (estudo, palestras, trabalho voluntário). O pior é que me sinto super mal, sabe. Como se fosse a vilã da história. Só que não é bem assim. Minha irmã eh super geniosa, cabeça dura, teimosa, não ouve nenhum conselho. Se conto isso para ela, ela já faz um mega escândalo, fala em se matar até. Acha que todo mundo conspira contra ela e que ninguém ajuda. Enfim, essa é a minha história. Não sei bem o que fazer. Não sei se estou certa nisso ou errada. Me sinto mal por deixar meus pais com esse fardo sozinhos, mas quanto mais tiro deles, mais vem pra mim. Espero que você e suas leitoras consigam me ajudar e aconselhar sem achar sou um ser egoísta que olha pro próprio umbigo o tempo todo. Pois não sou. Só acho que ajuda é uma coisa que tem passado muito longe do que temos feito por ela. Obrigada por ajudar! Bjs.

Que FOLGADAAAAA! Por isso acho que nem toda mulher nasce pra ser mãe! Cara, se não tem a capacidade de cuidar sozinha, não tenha filhos! Uma ajuda de vez quando ok, mas já cansei de ver avós estrupiados por cuidar de netos a semana inteira. Gente, pai e mãe na velhice, tem que descansar e não servir de babás! Vez ou outra ok, em alguma situação tipo festa, jantar, ok, mas largar o filho na casa dos avós e tchau-volto-a-hora-que-der é muita folga SIM. E sinto que você ajuda mais seus pais do que sua irmã, isso está bem claro. Novamente meu lado perverso fala mais alto: uma conversa com todo mundo e falando isso tudo na cara dela mas acredito que seus pais vão tomar partido de sua irmã e netos e você vai ficar como a vilã mesmo. Sua outra irmã está certa… Respira fundo, tenha paciência até sair de casa. Acho muito triste você ter que ficar na rua para não ficar em casa cuidado dos sobrinhos, mas atualmente é o jeito. E também acho que você deveria confrontar a sua irmã, mesmo que seja louca e que ameace se matar. Ela não vai fazer isso. Vai ter ataque de pelanca mas pelo menos vai saber BEM o que você pensa. Fale firme, forte, com segurança e mostre o quanto ela está abusando da boa vontade alheia. Os filhos são dela, então ela que cuide!

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Caso 3 – Cersei

Cony, nunca lí nenhum caso desses no chora, e confesso que tô totalmente perdida. Meus pais são casados há 35 anos, tiverem três filhas. Todos trabalhamos juntos (eu, minhas irmãs e meu pai) minha mãe desde quando casou se tornou uma mulher do lar. Somos uma família bem unida, fazemos muita coisas juntos, vamos e voltamos para o trabalho, churrascos e festas nos finais de semana, passeios e compras e até viagens, é uma relação muito gostosa.

Há um mês a caçula chorando confessou que suspeitava que nosso pai estava traindo nossa mãe, e que ela desconfiava que já era um caso antigo, nisso, minha irmã mais velha suspeitou de algo que já tinha visto no passado com uma ex-funcionária da empresa. Achamos a tal pessoa no facebook e constatamos que era ainda a tal funcionária que não trabalha mais na empresa há 15 anos. Mas meu pai é um pouco “analfabeto” digital, ele não tem facebook, tem dificuldade de mandar e-mail e começou a usar whatsapp em novembro/2015, e sempre que tem dificuldade me pede para ajuda-lo. Eu sempre tive a senha do e-mail dele, e o máximo que encontrei, foi uma tentativa de enviar e-mail para essa tal “amante”.

Desde que isso veio a tona, começamos a olhar o celular dele direto, apesar de várias suspeitas não há nada que prove que houve traição, mas ele sempre apaga a conversa que tem com as pessoas no whatsapp (uma vez eu disse pra ele que tinha que apagar as coisas do celular senao não teria memoria, mas me referi as figurinhas/imagens q ele recebe, mas ele levou a serio e começou a apagar tudo), sabemos que eles se falam todos os dias, e que ela quer trocar de emprego, ele a convidou para um café, mas ela não respondeu e depois disso não conseguimos mais ler. Ah, outro detalhe, o nome dela gravado no celular dela, não é o verdadeiro, é o nome de um diretor de cinema.

Aí fico me perguntando: porque eles ainda tem contato? Porque conversam tanto todos os dias? (menos ao final de semana). vamos e voltamos juntos de casa para o trabalho, mas vira e mexe ele almoça fora com clientes. Não consigo encaixar um período para eles se encontrarem, fico mal em xeretar as coisas dele, e muitas vezes fico brava com ele e morrendo de raiva, e acabo tratando ele mal, sem ele saber o porque. E minha mãe no momento está passando por uma depressão (desde o ano passado),

Já pensamos em contratar detetive particular, em ligar pra mulher ameaçando, em perguntar pra ele o que está acontecendo, mas não sabemos como agir, e nisso, temos medo dele ter algum ataque do coração, porque ele toma remédio pra pressão alta. Cony, me ajuda, será que alguem pode me dar uma luz?! ps: adoro a coluna e adoro o blog também. Você e as leitoras são ótimas! 

Que situaçãaaaaaao!!!! Gzuis, vamos lá. Ó, pode ser que seja amante, pode ser que tenha SIDO uma amante, pode ser alguém que ele tem um crush mas não teve nada demais. Em todos os casos, ele conversa com ela porque gosta de conversar com ela. Tem um sentimento sim Cersei 🙁 Olha só, eu sei de um caso de uma pessoa que desconfiava que o pai dele tinha um caso extraconjugal. Os pais também eram casados há muito tempo, ele desconfiou de algo e sabe o que fez? Marcou um almoço com o papi, e todo tranquilo contou de tudo o que sabia. Falou que se ele quisesse continuar com a amante, que continuasse, mas que por favor fosse discreto e que NUNCA contasse para a mãe ou fizesse algo que ela pudesse desconfiar. Ele ficou de todas as cores, não confessou nem negou e ficou por isso mesmo. Dê o recado, mas escolha uma de vocês (das irmãs) para falar com ele e ser a porta voz. Ter as 3 filhas na frente desmascarando o caso pode ser muito pra ele sim. Exponham a situação, do que desconfiam, não acusem, deixem ele falar e coloquem uma pedra nisso. Acho que se esse affair existe há muito tempo e sua mãe está com depressão, não vale a pena expor tudo pra ela e deixar isso vir a tona. Já se foram 35 anos de casados, você conta que são uma família unida, viajam e fazem muitas coisas juntos, não joguem isso pro alto. Todas as famílias tem problemas e se seu pai é e foi um cara bacana com sua mãe, não compensa por tudo por água abaixo. 

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  • Vamos ajudar as meninas??? E o Chora continua suspenso para receber emails ok? Mas prometo que desta vez não vai demorar muito!
18
May 2016
Chora Que Eu Te Escuto!
Chora Que Eu Te Escuto

Quarta feira chorosa! Vamos com as rainhas:

Caso 01 – Margaret

“Olá Cony, sou seguidora fiel do blog, admiro demais sua postura, seu jeito quando crescer quero ser igual a você…

Tenho 23 anos, faço faculdade, me considero uma pessoa inteligente, bacana, tenho uma família maravilhosa, amigas espetaculares, sou ajeitada fisicamente,  me amo mesmo, tenho qualidades e defeitos mas o coração, pensa num coração bom… =)  enfim nada que em teoria me faz no direito de ”reclamar” de alguma coisa, a não ser a minha vida amorosa rs.

Cheguei num ponto que tô desistindo desse  ”setor”, conheci um cara bacana, tivemos um relacionamento de uns 6 meses, enfim tudo indicava que iriamos casar ter dois filhos e um cachorro chamado Costelinha, ele era muito inteligente, aqueles nerds mesmo, super dedicado e bem resolvido em que se diz respeito as suas convicções e vida profissional. No início do nosso rolo, confesso que sempre ficava com o pé atrás pois nunca tinha me relacionado tão intensamente com alguém, no inicio era só farra mas a coisa foi ficando séria para os dois lados, vi que pra ele  tb a p* tava ficando séria kkkkkk . Ele me tratava bem e tudo ai o coração não guentou quando vi já estava caindo de amores. Resumindo,  o caboclo me fazia juras de um possível amor, que viria conhecer meus pais, me falava da mãe, vó, do relacionamento dele com a família, de suas conquistas blá, blá, blá, que eu era bacana, que nunca me magoaria, que eu era tranquila e era difícil achar uma mulher igual a mim, uma vez que saímos ele falou comigo ” que eu era bonita demais, que todo mundo que passava olhava para mim, que queria me beijar mas ficava sem jeito” TIPO, desde ai notei uma certa insegurança . A ultima vez que nos encontramos que ele me disse um tanto de coisa que no entender de qualquer um estávamos num relacionamento sério,  e no final quando abri meu coração falei que gostava dele, não pedi em casamento nem nada, só retribui o que ele dizia sentir por mim, ele veio falar, que no meu entender o primeiro namorico dele o fez sofrer, que ele precisaria de mais tempo para o coração regenerar ele tem (25 anos) tipo sempre me falou de namoro, na hora que não aguentava mais, passou natal, carnaval, engatei a primeira e o individuo arregou. Continuamos  conversando por wpp e quando faria 7 dias que tinha visto pessoalmente, o que seria o nosso último encontro mandei um ”boa tarde, tudo bem?” e ele, sumiu, não sei estávamos bem , nunca mais me respondeu, fiquei sem entender sabe?! Nada com nada! eu não vou atrás mas quando estou de tpm e a saudade aperta e passo mal, saio, conheço outros caras mas como ficou uma história ”mal resolvida” sempre volto no nerdzinho , não sei, desanimei sabe, eu não fiz nada, não pedi nada, não cobrei e ele nunca mais deu sinal de vida isso já tem uns 3 meses. Superei em partes. Esse tipo de coisa me faz desanimar de conhecer outros caras pq já imagino o fim, gostar e me ferrar no final. Enfim, tô precisando de força, pra mudar esse pensamento, farei 24 anos e não tenho perspectiva nenhuma nesse aspecto amoroso, já chutei o pau da barraca! Me ajudem aí, gente!”

Calma mulher! Desilusões amorosas TODO mundo tem! E sinto te informar… mas acontece aos 20, aos 30, aos 40, aos 50… E você, no frescor dos 24 aninhos já querendo chutar o pau da barraca? Voltemos a parte que você diz que se ama. Ama mesmo? É toda boa e vai ficar de perrenguinho por um imaturo que arriou no primeiro sinal de comprometimento? Se eu fosse você tocava o terror na cidade, aproveite a juventude! E sinto te informar novamente, a probabilidade de quebrar a cara de novo é grande. Mas a vida é assim, quando a gente menos espera, dá certo. Vai por mim e para de dramatizar.

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Chora 2 – Cleopatra

“Oi Cony! Sempre leio o blog e adoro as dicas de moda, e também acompanhar o Chora.

Tenho 24 anos, e espero no meio desse ano conseguir me formar na faculdade. O problema é que estou bem descontente com o curso e carreira que escolhi. 🙁

Quando esteva no colégio tinha muitas dúvidas sobre que curso fazer, fiz até orientação vocacional, que acabou apontado áreas que nem tinha pensado ainda, como design e arquitetura. Acabei escolhendo a área de comunicação, porque acreditava que era onde poderia juntar todas as coisas que me interessavam, com a ideia de fazer jornalismo (mesmo com a psicologa da orientação vocacional me alertando que não tinha perfil pra ser jornalista). Passei pra uma universidade federal na segunda tentativa, mas no segundo semestre do curso desanimei totalmente com o  jornalismo, vi que realmente não era a minha. Como estava cada vez mais interessada por criação e design, mudei para habilitação em publicidade, que era o mais próximo de design na minha universidade. No início as coisas correram super bem, e tive ótimas oportunidades dentro da universidade de estagiar e organizar eventos, e até de realizar meu sonho de fazer intercâmbio.

Até que fui tentar processo seletivo para vagas de empresas e agências, procurando algo fora da universidade e no mercado real de comunicação, mas nunca consegui ser selecionada, foi um não atrás do outro. Na última vez cheguei até o final da seleção, mas acabaram escolhendo outra pessoa.    A situação chegou no ponto de meus pais ficarem se perguntando o que acontecia comigo, que mesmo se preparando tanto, ia mal nos processos e entrevistas. Eles não me pressionam nem nada, sempre me ajudaram e apoiaram, mas vejo que eles se preocupam com o que vou fazer.

O problema é que quando conseguir passar tive péssimas experiências de estágio, até mesmo com uma chefe nível Miranda Priestly e que fez não só eu, mas mais duas funcionárias se demitirem. Só depois de estar estagiando lá que vi que ela queria se aproveitar da inexperiência das estagiárias, nos colocando pra trabalhar de 8h às 20h . E depois outro lugar onde os chefes eram super machistas, além de descartarem toda a ideia que não partisse deles e não pagarem em dia. Pra mim era um suplício passar o dia em um escritório trabalhando e tentando criar campanhas, correndo atrás de clientes. Fui vendo então a realidade do mercado dessa área, que é bem cruel, muita gente para pouquíssima vagas e muitos lugares não confiáveis, onde as pessoas são nada profissionais.Sei que não sou a única, tenho amigos da faculdade que também passaram por várias situações ruins em estágios, mas ainda sim querem seguir nessa carreira.

Paralelo a isso, como fui vendo que não estava conseguindo nada em publicidade, fui procurando cursos pra fazer de outros assuntos que gosto, principalmente sobre moda e design. Consegui algumas entrevistas em marcas de moda na cidade onde moro depois disso, mas não consegui passar. É uma área que eu gosto muito, estou fazendo um curso de Produção de Moda atualmente e adorando. E escrever sobre coleções de moda e criar conteúdo para uma marca foi um dos trabalhos que tive chance de fazer e mais gostei.

Agora perto de me formar e sem nenhum estágio ou emprego, estou nessa de não saber o que faço. Tento pensar no que seria melhor, mas confesso que depois de ter fracassado tantas vezes e ouvindo muitos “não você não serve pra essa vaga”, desanimei totalmente. Perdi a autoconfiança no meu trabalho e habilidades. Sei que sou de certa forma nova e que isso acontece com muita gente… Só que não saber o que fazer depois da faculdade está virando um problemão. Não sei se insisto em tentar mudar para a área da moda, faço outra faculdade ou uma pós graduação, mudo para uma cidade com um mercado melhor… Enfim estou com bastante medo de fazer a escolha errada de novo.

Espero que vocês tentando outras experiências e uma visão de fora da situação possam me ajudar!

Beijos e Obrigada!”

Complicado viu Cleo? Ainda mais na crise que o país está… Você pensa em fazer um curso fora? Que tal depois da faculdade fazer um Marangoni, um FIT, Parsons??? Algo mais focado na sua carreira mesmo? Seria ótimo para seu crescimento pessoal e profissional! Mas se posso te dar um conselho é insista sempre no que você GOSTA de fazer. Foque nisso, no que te faz feliz. Conheça pessoas da área, peça para acompanhar trabalhos mesmo sem receber nada para isso, network é tudo!!! Boa sorte e não desista NUNCA.

 

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Caso 03 – Catarina

“Oi Cony! Você é uma das únicas blogueiras que acompanho hoje em dia, te acho autêntica, adoro seu blog e acho que você se destaca muito no que faz.

Bom, minha história é um pouco diferente, meu nome é Catarina e tenho 22 anos. Fui adotada quando era bebê porque minha mãe biológica faleceu de câncer, ela não tinha familiares,  e sobre o meu pai, ninguém nunca me falou nada, inclusive ninguém nunca tocou no assunto, mas quando falam dela, só existem coisas boas, foi uma boa pessoa e falam super bem. Fui adotada quando tinha meses de vida por um casal que já tinha um filho, eles me receberam de braços abertos, me deram uma vida maravilhosa, sempre disseram sim para as minhas escolhas e jamais me desencorajaram dos meus sonhos. Nunca houve algum tipo de distinção por ter sido adotada. Recebi uma boa educação e sempre estudei em boas instituições. Sou muito grata por tudo! Apesar disso, não me sentia aceita por alguns familiares, não me sentia da família, sempre fui reservada perto dessas pessoas. Aliás, sempre fui reservada, ninguém fora da família sabe disso, e eu nunca gostei de falar sobre isso. Meus melhores amigos me conhecem há anos e não sonham com essa história. Fiz terapia por uns 2 anos e aprendi a me aceitar e a aceitar as adversidades da vida, a me conhecer melhor e a superar alguns de meus medos. E desde então tenho muita vontade de procurar meu pai biológico, nunca entendi o motivo dele não ter ido atrás de mim, não ter dado assistência alguma à minha mãe adotiva que ficou extremamente debilitada e que sofreu muito. Não é que eu seja ingrata aos meus pais adotivos, mas sempre fui curiosa e acho que eu mereço saber, só que ao mesmo tempo tenho a dúvida se isso é certo e se eu não vou me magoar, se não é melhor deixar isso quieto mesmo, sinto muito medo. Evito tocar nesse assunto porque é óbvio que meus pais se magoariam, poxa… Sempre fizeram tudo por mim, não seria justo com eles. Sempre tento ser motivo de orgulho e me esforço ao máximo para ser uma boa filha! Lógico que eu iria atrás disso sozinha.  A única coisa que sei é o nome dele, isso porque fui atrás, outra coisa que sei é que na época que nasci ele já era um senhor de idade. Às vezes me pergunto se ele já tinha alguma família ou filhos e fui apenas fruto de uma traição, ou se foi apenas um caso passageiro… Enfim, me sinto perdida sobre esse assunto e não sei se devo seguir em frente com isso ou não. Não sei nem se ele ainda está vivo. E agora?!”

Nossa me deu até um frio na barriga ler sua história. Ó, antes de mais nada, vontade de abraçar você e seus pais. Que atitude mais linda eles tiveram e que grata você é! Tudo certinho, redondinho, lindo lindo. Acho SUPER compreensível você querer saber sobre seu pai biológico. Eu também teria muita vontade em seu lugar mas…muito me intriga o fato de ninguém nunca ter te falado nada sobre ele. Você já perguntou pra alguém??? Essa parte me dá medo, boa coisa não deve ser para ser um assunto assim, meio proibido. Só acho que se você realmente for atrás do seu pai, jogue aberto com seus pais e conte o que está fazendo. Não faça nada escondida deles. Antes de mais nada converse, do jeitinho que você escreveu este mail. Diga que é muito grata, que ama eles, mas que a curiosidade te consome. Acho que eles vão te entender, mas fique atenta. Se perceber que eles não ficariam a vontade com essa sua busca, melhor deixar pra lá. E se for em frente, não crie expectativas e seja sábia para não deixar que nada te atinja e tire sua paz…

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  • Dois PS hoje!
  • PS 01 – Emails SUSPENSOS MAIS UMA VEZ. Recebi uma surra de Choras, vamos aguardar acabar com estes até abrir espaço para novos ok? É sério, não enviem até segunda ordem. A pasta está fechada!
  • PS 02 – Vocês sempre me perguntam onde acho as frases que uso para cada Chora, pois bem, para alegria geral da nação criei um Instagram só com as frases do Chora (e outras também!). Tá bem bacana, novinho em folha. Quem quiser seguir o perfil é @futilish.feelings. E quem quiser colaborar e enviar uma quote bacana que possa ser usada futuramente nesta tag, é só me me enviar por direct (pro @futilish.feelings) ou então usar #futilishfeelings
  • Beijo, fui. 
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