Comportamento
Chora Que Eu Te Escuto
17 abr 2019, 50 comentários

Chora Que Eu Te Escuto!

Quartinha da choradeira, vejamos o que temos para hoje!

Chora 01 – Rubi

“Cony, hoje entrei no seu blog pensando se ia escrever ou não o meu chora. Quando li o título do primeiro post, BRILHO NOS OLHOS, pensei cá comigo, tenho que escrever. BRILHO NOS OLHOS é o que vem me faltando ultimamente. Na verdade, já há bastante tempo.

Bem, eu tenho 32 anos e vou contar um pouco da minha história. Em 2008 conheci meu ex-marido e desde sempre tivemos um relacionamento conturbado. Eu sou uma pessoa tranquila, calma, de bem com a vida, com tudo e com todos, e ele é o oposto, briguento, ciumento, possessivo, desiquilibrado mesmo. Ainda no namoro descobri algumas traições, mas como o amava profundamente, acabei perdoando e segui em frente com isso, sem remorsos. Em 2016, nos casamos. O casamento, lógico, foi um namoro piorado. Mais brigas, mais implicâncias dele comigo, ele queria controlar a minha vida e cada passo meu, enfim, não era nada do que sonhei pra mim. Como o amava muito fui levando, uns dias melhores, outros dias piores, e assim foi. Mas o respeito não existia, ele não me respeitava e muitas vezes me falava coisas que nenhuma mulher merece ouvir. Até que 1 ano e 4 meses depois do casamento, descobri uma nova traição. Na minha cabeça, não aconteceria novamente, pois agora éramos casados, realmente o compromisso era sério, “pra valer”, pra sempre. Mas não era. Ele não mudou em nada, lógico que não mudaria (aprendi a duras penas que as pessoas são o que o que são, não queira mudá-las, e aprendi também que as pessoas dão sinais sobre seus verdadeiros caráteres, nós é que fingimos não ver ou escolhemos relevar). Depois que descobri a traição, o enfrentei. Na verdade, ele me falou que passaria um final de semana num treinamento da empresa e dias depois eu descobri que não havia sido nada disso, ele tinha mentido e tinha passado o final de semana em outra cidade. Bem, o enfrentei. Ele me enrolou, me enrolou, me enrolou e até hoje não admite que me traiu. Inventou mil desculpas, mas não engoli. Sai de casa. Isso foi há 1 ano e 7 meses. Nunca olhei pra trás, nunca mais quis voltar, afinal tinha tido a coragem de ir embora, não podia dar um passo pra trás na minha vida. Ele tentou voltar várias vezes, me procurou várias vezes, mas fui firme e essa história terminou. De verdade. Não o amo mais. Hoje, olhando de fora de forma racional, não sei como pude aceitar tanta coisa ruim. Apesar de ter conseguido sair dessa situação, acho que tudo isso trouxe consequências pra minha vida atual, tive coragem de sair desse relacionamento que hoje vejo que era abusivo, mas isso tudo me deixou “marcada”.

Enfim, depois de 7 meses separada, eu conheci uma pessoa. Ficamos por alguns meses até que no final do ano passado começamos a namorar firme. Fizemos uma viagem de final de ano legal juntos, o que selou o compromisso de vez. Estamos juntos até então. Só que eu não me sinto feliz com esse relacionamento. Na verdade não me sinto feliz de forma alguma. Ele é uma ótima pessoa, o oposto do ex. Ele é carinhoso, amoroso, cuida de mim, se preocupa comigo, quer fazer as coisas que sabe que gosto, já diz que me ama. Está apaixonado. Só que eu não me sinto da mesma forma. Eu não o amo. Eu quis tentar e tentar de todo jeito dar certo com ele durante esses últimos meses, porque realmente sei que ele é diferente, é especial, não queria perdê-lo. Mas não sei porque o sentimento não vem (estou tentando até agora, ainda estamos juntos). Mas na verdade desconfio porque o sentimento não vem. Apesar das qualidades, ele tem um defeito que tira meu sono. Não é ambicioso, é pacato demais em relação a vida e ao trabalho, aos 36 ainda mora com a mãe sem perspectiva concreta de morar sozinho. Eu tenho o meu trabalho, ganho bem (mais que ele) e me dá arrepios a ideia de ter que sustentar um homem. Eu lutei MUITOOOO para estar onde estou hoje. Me dedico ao trabalho (sem exageros), pois sei que é a única alavanca que vai me levar até onde quero chegar. Eu quero ter meu apartamento próprio (do jeito que sempre sonhei – no primeiro casamento morava num lugar que não gostava e as coisas não foram nada do jeito que eu queria – não quero me frustrar de novo, mas na verdade já me sinto frustrada.). Quero viajar para vários lugares legais também. No momento eu nem tenho dinheiro pra isso (porque acreditem se quiser, ainda fiquei com uma dívida do apartamento em que morava com meu ex-marido, ele simplesmente me largou com os problemas). Mas num futuro muito breve pretendo ter o meu cantinho e viajar para alguns lugares bacanas. Meninas, não pensem que sou mesquinha, não sou. Só vejam. Eu tenho 32 anos, quero ter uma família, filhos, mas no momento me sinto sem perspectiva de nada. Não vejo um futuro da forma que eu sonhei com ele. Como vou esperar que ele se estabilize na vida? Não sou mais nenhuma menina. Gostaria de mais estabilidade da parte dele, acho que é essa é a verdade. Gostaria de um HOMÃO DA P*&%3 do meu lado. Não quero aceitar nada menos do que acho que mereço. Mas, na verdade, acho que já estou aceitando… A verdade é que não estou encantada, não o admiro da forma que gostaria, apesar de ele ser sim uma pessoa boa. Será que é por isso que sinto que não o amo? Pela falta de admiração?

No começo desse ano comecei a fazer terapia. E minha psicóloga já me disse algumas vezes. Você precisa de brilho nos olhos. Não pode ficar apagada desse jeito. Daí que vem a decisão de escrever rs, do tal do BRILHO NOS OLHOS. Estou desanimada, não quero pensar na possibilidade de não ter o que sempre quis pro meu futuro, eu acho que mereço mais. Mas ao mesmo tempo tenho medo de terminar e não encontrar outro alguém com essas qualidades. Me sinto perdida. Sem rumo. No momento que estou escrevendo esse texto estou chorando. Não sei que caminho seguir, mas algo me diz que o melhor é ficar sozinha por enquanto. Não estou bem comigo mesma, já melhorei muito desde que terminei meu casamento, mas acho que ainda não posso fazer alguém feliz. Muitos questionamentos por aqui… só sei que meu coração não está nada sossegado, não está em paz.

Obrigada por me ouvirem, meninas! Bjs.”

Amiga, a gente não pode perder tempo na vida não! Se tem uma coisa que hoje tenho CERTEZA e que posso aconselhar de olho fechado é: se não está do jeito que você quer ou sonhou, parte pra outra JÁ! Existe homão da poha sim, mas você nunca vai encontrar com ele se estiver presa a outra pessoa! Me conta, PRA QUÊ ESTÁ PERDENDO SEU TEMPO COM ALGUÉM QUE NÃO É O QUE VOCE QUER? Pra que? Pra não ficar sozinha??? Pois saiba que a carencia é MAIOR inimiga de um relacionamento feliz e pleno! O medo de terminar e não encontrar alguém com as qualidades que você procura é o maior erro que você pode cometer! Primeiro transforme-se na mulher que você quer ser, sozinha, se vire, se ame, faça suas coisas, atinja a SUA plenitude, e isso VAI atrair alguém como você! Não pense tanto no OUTRO neste momento, não idealize ninguém além de você! O brilho nos olhos, primeiro tem que ser por você para depois ser por outro. E tenha CERTEZA, vai aparecer alguém sim, mas para isso você tem que estar livre e plena. (PS: não me julguem, mas quando eu tava solteira, fugia de homem “veio” que morava com a mãe. É treta. Eu acho.)

Chora 02 – Turmalina

“Minha choradeira tem problemas e soluções multi disciplinares, acho que você pode me ajudar! Na verdade um problema eu já resolvi, agora o outro… Tem um minuto?

Pois bem, tenho 28 anos. Saí de casa aos 17 para estudar, esse processo envolveu mudança de cidade. Consegui minha independência financeira aos 23. Durante esse período eu sempre tive ajuda dos meus pais (divorciados), e o caso aqui é com a minha mãe. Estudante, estagiária, primeiro emprego, sabe o que existe em comum com essas atividades né? Pouca grana. Por esse motivo, era muito raro eu me jogar nas compras.  Minha mãe era absurdamente consumista (nível sem noção) e acabava comprando muitas coisas para mim, e também compartilhando seu acervo comigo nas ocasiões em que nos encontrávamos. E por mim tudo bem. Sempre gostei de moda e de andar arrumada, mas não sabia definir meu estilo, me dava com qualquer coisa, até me divertia com isso.

Para mim, minha relação com minha mãe era boa, mas só hoje eu consiga identificar que ela é o que chamam de narcisista patológica. Essa característica só ficou mais evidente quando passei a viver mais perto dela. Ela se mudou para a cidade vizinha, então nos víamos toda semana.

Quando estava perto dela, entre outras coisas desagradáveis, ela gongava minha aparência o tempo todo. Dizia que meus boyfriend jeans pareciam eram maltrapilhos. “Pega aqui essa minha saia, vai ficar linda”. Acontece que o estilo dela é meio piriguético. Não me entenda mal, é uma piriguete arrumadinha, mas o shape marcado, o brilho, as rendas, os zilhões de estampas… Não são muito a minha cara. E quando eu pegava uma peça dessas, tratava de misturar com uma minha pra dar aquela equilibrada, e lá vinha a gongada. Saí de casa várias vezes me sentindo desconfortável só porque não queria ser reprovada por ela.

Foi então que aconteceu a reviravolta. Um resumão:Perdi meu emprego, tive depressão, fui morar na casa dela e trabalhar no negócio dela. O controle sobre minha vida (e meu estilo) só pioraram. Ela me estimulava a comprar roupas, mesmo que eu tivesse outros planos para meu dinheiro “Roupa é necessidade!” “Não vai trabalhar comigo mal vestida” “Não saio com você vestida assim!”. Ela se casou com uma cara mega rico, e isso só piorou sua síndrome de madame. Tivemos um desentendimento (ela tinha medo que eu tomasse a frente dela nos negócios. Nunca foi minha intenção. Ela estava paranoica.) e  fui expulsa de casa. Fui embora sem rumo, sem casa, sem emprego e com um boletim de ocorrência que viria a gerar uma ordem judicial para que ela não voltasse a me agredir. Para conseguir tirar minhas coisas de casa fui escoltada por 3 policiais. Eles me disseram: pegue o que você puder, não poderemos voltar com você depois. Era minha unica chance, pois jamais me atreveria a voltar lá sozinha, ela jurava me matar até na frente dos policiais. Sendo assim, tudo que eu pude fazer foi recolher algumas roupas e livros. Só. Móveis, eletrodomésticos, nada foi comigo. Felizmente, nessa fase eu tinha algumas economias, achei uma casa ótima para morar e na semana seguinte já tinha um emprego na minha área, tive muita sorte nesse momento.

Pode ser que eu pareça fútil pelas minhas preocupações agora, depois de mencionar essas barbaridades, mas quando o interesse é recomeçar a vida, todo detalhe importa.

Quando abri minhas malas na casa nova, percebi que mais da metade das minhas roupas tinha ficado pra trás. Não tinha mais nada, só umas coisa velhas, desconexas, roupas que estavam guardadas para doação. As mais novas, as favoritas não estavam lá, devem ter ficado na lavanderia, ou no cesto, ou em algum canto do armário. Na correria, no medo, peguei o que estava na minha frente e saí correndo. Não voltei nem para resgatar documentos que ficaram, jamais voltaria lá para resgatar roupas.

Decidi voltar a minha vida normal, e estava muito magoada e passando pelo luto de perder uma mãe que estava viva. Precisava comprar roupas novas, mas tinha medo até de sair na rua, ir ao shopping e dar de cara com ela. Tinha pavor de lembrar dela, e de qualquer coisa a fizesse ser lembrada. Passei a me vestir diferente, sabe tudo aquilo que ela abominava? Então, era o que eu usava agora. Camiseta! Eu nunca tive uma camiseta antes disso, só “blusinhas de menina”, baby look uó.  Meu novo visual era baseado em jeans, camiseta e tênis. Cortei o cabelo, removi a luzes (influencia dela). Virei uma outra versão de mim que eu não conhecia. Sinceramente? Não sei se gostei. Passado o tumulto todo, a dor, o luto, a montanha russa emocional, minha vida se acalmou, agora tá tudo bem, tô mega feliz. Mas meu armário…aiaiai…não estou me entendendo com ele ultimamente. Nesse redescoberta, me identifiquei muito com o estilo bem básico, não gosto de acessórios, prezo muito pelo conforto, não uso salto… Não tem peça que faça eu me sentir mais bonita que uma camiseta branca. Mas as vezes sinto que me visto como um menininho de 10 anos, sabe? As vezes acho que falta uma pegada mais sensual ou arrumada dentro dessa proposta básica, mas tenho medo de cair nas minhas antigas referências. Antes eu gostava de andar arrumada, hoje eu quero passar despercebida. Não sei se foi todo o impacto psicológico que tive no ultimo ano que me fez ter receio de tudo, mas preciso começar a me reinventar. Sei que nada é da noite para o dia, que nosso estilo é uma construção, mas eu gostaria muito de ter um norte para achar o meu. Ajuda?”

Gata como assim, e o Futilish, não conhece não? hahahaha Brincadeiras a parte, que horror tudo isso que aconteceu com você! Nem imagino ter uma briga feia dessa com mãe. Mãe deveria ser nosso porto seguro, nosso chão, o colo que aconchega, que cuida, que preza e zela. Fico realmente muito triste que não seja assim com você mas por outro lado fico feliz em saber que sua vida tá tomando um rumo bacana e que agora a única coisa que interessa é achar seu estilo de volta. Dá uma olhada no Pinterest, faz uma pastinha, vai salvando looks que você gosta e analisando o que te chamou a atenção. Você gosta de camiseta branca? Vai lá e coloca na busca “white t shirt outfit” e salva o que gostar! E claro, cola na gente aqui no Fufu que temos bom gosto e somos clássicas sem piriguetismo mas modernas e as vezes até zekzys. Dá para ser mulher, sensual, feminina com camiseta sim viu? Boa sorte!

Chora 03 – Jade

“Olá Constanza ! Amo o seu blog. É tudo o que falam! Você é maravilhosa. Vamos ao chora.

Namorei por quase 4 anos, uma pessoa . resumindo os três primeiros anos, foram um verdadeiro conto de fadas. Ja tive outros relacionamentos e ninguém nunca me tratou tao bem e me fez sentir especial como ele. Aconteceu de um dia, sem motivo aparente, ele me deu um tapa. Não tomei nenhuma ação, fui embora, estava na casa dele e os pais e irmãs me deram super apoio.  mas depois disso não consegui perdoar dentro de mim. passou uns meses ainda, ele me pediu perdão, começou a fazer terapia, enfim. eu não quis mais e terminei. Passou uns 3 anos e meio, e No final do ano passado,  o reencontrei no final do ano passado.

Está morando sozinho,  trabalhando,  e aceitei a sair para tomar um café. ficamos algumas vezes e fui muito sincera com ele dizendo que nao quero nada alem de ficar e para nao criar expectativa.

Porém, entretanto, toda via. Cai na minha própria armadilha.

Estou me envolvendo novamente, fui viajar com amigos e senti a falta dele. Ele me faz sentir especial e sinto que ele amadureceu,  estou fazendo uns “testes” falando algumas coisas que antes ele não admitiria, e hoje, vejo que a cabeça abriu sabe?  Ele tem feito as coisas que sempre reclamei no passado e sinto que estou me reapaixonando.
A questão é.

1) Me julgo demais. ninguém exceto a família dele (Pai, mae e irmãs) e uma amiga minha sabem desse episodio de “agressão”. Tenho um pavor de voltar a me relacionar por encarar novamente a família dele

2) Essa minha amiga tem horror a ele, pelo episodio e me sinto impedida por isso. tenho vergonha ate de falar para ela que eu voltei a reencontrá-lo.

3) As pessoas erram e mudam. Eu mesma já fiz coisas que me arrependo. Dar uma nova chance é algo errado? Sempre fui do time quem faz uma, faz duas. Mas hoje, meu pensamento não é assim. A minha vontade? é ir indo. A minha cabeça me julga. Fui bem sincera com ele, e ele demonstra estar muito arrependido, me chamou para uma conversa e falou que aquilo de forma alguma se repetirá. Que ele sofreu muito, e que no fundo, ele nunca me esqueceu, e ele só queria ter uma nova chance para me fazer feliz, assumiu toda a culpa, pediu perdão, e me pediu para esquecer e não tocarmos mais nesse assunto, e só viver coisas boas daqui pra frente.

Fato que ele me ama e tem um sentimento imenso por mim. Eu, to gostando de tudo, e não to conseguindo me desapegar e querendo dar uma nova chance. me deem conselhos? A pessoa muda? Eu já o perdoei, o difícil esta sendo lidar com os julgamentos, que na verdade nem acontecem ainda e já me assombram. Me ajudem meninas?

beijos”

 

Nossa menina, que complicado… muito complicado. Antes de mais nada, ninguém tem nada a ver com a sua decisão, não se preocupe com a reação da família dele e de sua amiga, se ela é sua amiga mesmo, irá te apoiar no que você fizer. PORÉM, agressão física é coisa MUITO séria e é tão delicado aconselhar sobre isso porque pode ser que tenha sido algo de momento (o que não está certo de maneira alguma) e realmente ele pode ter se arrependido, como pode ser uma reação de caráter explosivo e que possa voltar a se repetir. Queria entender mais esse “tapa” (ai como é difícil falar essas coisa, não que NADA justifique o tapa, mas para entender a situação e essa reação)… mas já se passaram mais de 3 anos e acho que isso já nem importa mais. EU no seu lugar, se já está perdoado, se não se encaixa na repetição do ciclo do relacionamento abusivo (tensão, agressão, reconciliação, calmaria), se foi coisa de um impulso e ele realmente se arrependeu e depois de tantos anos tenta te reconquistar, eu daria uma chance. Ainda mais porque é isso o que você quer, e isso está muito claro. E outra coisa, ele sabe qual será sua reação caso aconteça novamente, então há chances de dar certo sim. Mas atenção, OBSERVE, fique de olho. Ao MENOR sinal de agressão e violência, pule fora na hora! Depois volte aqui para nos contar como estão as coisas.

  • Choras ABERTOS! Podem mandar seus problemas, aflições, desabafos para constanza@futilish.com e no assunto coloque CHORA QUE EU TE ESCUTO. Escutaremos e conversaremos ok?
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Chora Que Eu Te Escuto
03 abr 2019, 79 comentários

Chora Que Eu Te Escuto!

Depois do meu Chora de ontem, agora é a vez de vocês rsrs.

Chora 01 – Sirius

“Oi Cony,
Amo seu jeito leve, direto e objetivo de escrever e seu blog é um dos poucos que ainda leio! Resumindo meu chora é o seguinte! Amo meu filho mais não gosto de ser mãe! Estou casada a 6 anos e juntos a 12, sempre foi um sonho ser mãe, sonho que adiei bastante por conta da carreira, casamento, enfim algumas dificuldades que apareceram no caminho!
Até que chegou uma hora em que a pós estava concluída, os frutos do esforço profissional estavam sendo colhidos, a vida conjugal em sintonia, vida financeira equilibrada e marido pressionando pra termos um filho (ele é 8 anos mais velho que eu).
Confesso que assim que fiz 30 anos achei que o desejo de ser mãe iria despertar, mais nada aconteceu!
Mais com a vida encaminhada e a pressão do marido achei que já era a hora de aumentarmos a família, confesso que não me sentia preparada, mais acho que pra uma mudança dessa nunca estamos né!
Bem recebi o meu positivo num dia e no dia seguinte o mundo já começou a desabar, meu pai ficou doente, meu marido perdeu o emprego e ficou doente, teve câncer! Uma corrida contra o tempo, cirurgia, médicos, quimioterapias !! Uma loucura!!
Não tive tempo nem de pensar, cuidando de tudo e ainda trabalhando bastante, mais do que o normal até, graças a Deus mesmo com tudo isso a gravidez foi a mais tranquila possível!
Trabalhei como nunca até o dia em que minha bb nasceu!
O amor absurdo descritos nos livros e relatos que tanto li veio mais não de imediato e sim com o passar dos dias!
Amo a minha bb incondicionalmente, mais não gosto muito de ser mãe!
Depois que o filho nasce, não temos mais nome, não temos mais vontades, prioridades, sentimentos, somos tão julgadas, é tão difícil! E como se tivéssemos que nos colocar no bolso pra viver pro filho!
Sei que a minha bb é pequena ainda e depende muito de mim, mais é complicado e sinto falta de ter tempo pra fazer as coisas pra mim! Tipo poder correr, coisa que eu gosto tanto, ou que as pessoas simplesmente perguntassem se no meio do caos eu estou bem!
Meu marido voltou a trabalhar e agora viaja bastante, fico semanas sozinha com a minha bb e tudo que eu queria era um tempinho pra mim, pra arrumar a casa ou fazer qualquer outra coisa, sei que o fato de não ter uma rede de apoio tbm não ajuda!
Estou prestes a voltar a trabalhar e como eu digo, voltar a viver!
Não converso muito sobre isso com ninguém pq parece um absurdo uma recém mãe querer fazer qualquer coisa que não seja para os filhos!
Enfim e mais um desabafo!”

Não acho nada absurdo seu desabafo porque, mesmo eu não tendo filhos, imagino o quanto você quer ter sua “vida” de volta. Eu não sou a pessoa mais certa para te aconselhar nisso, sempre acho que tem os melhores conselhos quem vive ou viveu a situação mas acredito que você não deve se preocupar tanto com o que os outros vão pensar a seu respeito. Você tem babá? Se não tiver, tenha logo, converse com seu marido. Não sou a favor da mulher se anular por causa dos filhos, já vi váaaarios casos de mulheres que eram profissionais, tinham carreira mas depois que engravidam ficam por conta de criar menino. Tá errado? Não não tá, cada um faz o que quer, mas SEMPRE ouvi lamentações que deixaram a vida de lado. Contrate uma babá! No mais, acho que ser mãe é isso mesmo rsrsrs.

Chora 02 – Canopus

“Olá Cony, Acompanho seu blog a um tempo. Ele sempre tem dicas ótimas.  MAS confesso que só fui ler os Choras a algum tempo, e resolvi enviar a minha história.
Eu tenho 19 anos, não sou uma pessoa muito vaidosa, nunca fui de usar maquiagem, nunca gostei de comprar roupas,mas, principalmente por conta da Igreja, sempre gostei de montar looks legais com as peças que tenho.
Mas vamos ao desabafo.
Tenho uma alergia, um probleminha de pele chamado: Dermatite Atópica. Essa alergia faz com que minha pele seja muito seca e sensível,  gerando reações alérgicas a grama, lama, poeira, pólen, pelos de gatos e cachorros… sem contar na rinite forte! O caso é…. como sou morena, minha pele sempre marcou muito fácil, então durante as crises, muitas vezes coçava e ficava com uma mancha no lugar.
Quando eu tinha 10 anos, ganhei uma bolsa para estudar em um super colégio de elite. O colégio era muito caro, mas a bolsa era muito grande. Eu pagava só o material. Aconteceu que as crianças da minha turma, começaram a espalhar que eu tinha uma força de pele contagiosa. Então todos me evitavam. Sempre passavam longe. Tínhamos aula opcional de natação, as sextas a tarde. E eu fazia. Vários de meus colegas pararam de fazer as aulas para me evitar, ninguém queria entrar na água contaminada. Mesmo que eu explicasse, ninguém ouvia. Quanto mais nervosa, pior eu ficava. Nessa época tbm, minha pele começou a soltar mais sebo na região do rosto, na tentativa de compensar a falta de água. Nisso, não cheguei a ter as famosas é terríveis espinhas, mas sim cravos que deixavam manchas bem escuras, e ajudavam a piorar os rumores.
Nessa escola eu tinha 3 amigos. Um que era um ano mais novo, uma menina e um menino da minha turma. O menino era legal, mas meio estranho. O mais inteligente da turma, a família dele era de uma daquelas religiões tradicionais e machistas. Era estranho pq meus pais sempre foram muito cristãos, mas sempre valorizaram a mulher e me ensinaram que eu não era menor do que ninguém só por ser mulata ou mulher.  O caso é que essa amizade se tornou bem tóxica, a ponto que  o menino, de apenas 10 anos, eu com 11, começou a achar que era meu dono. Ele mandava, eu não obedecia, ele gritava, ele amava para mim, e dizia que ele que mandava, ele batia na irmã dele. E sempre repetia que era meu dono.

Criança que era, eu me afastei assustada. Eu era nova demais para se quer compreender aquilo. Não sabia o que fazer. O bullying dos colegas mais esse menino, não sabia lidar com isso, por mais que pedisse ajuda, a coordenação nunca fazia nada. Então, quando tudo parecia estar bem ruim, o menino que falava comigo e era de outra turma…. Ele morreu em um acidente. Simples assim..  A minha colega entrou em depressão. Independente do que eu fizesse ela ficava mal. Minhas notas caíram, meus pais ficaram bravos com isso, os professores, todos exigiam as notas altas do princípio. Com isso, alguns professores que amavam o menino que me perseguia, e detestavam minhas notas, começaram a fazer comentários maldosos. Coisas do tipo: “Ahhh, vc não vai a lugar algum. Era tão promissora, mas está se mostrando só mais uma qualquer que não consegue fazer nada”. Realmente escutei isso de um professor. Na lata. Na frente de todos os alunos que já me evitavam pq achavam que eu era doente.

Com toda essa situação passei a não ter tempo para minha colega. Eu estava mal. Vivia na coordenação pedindo ajuda. Ninguém me ajudava. Não tinha coragem de falar com meus pais. Não queria mágoa-los. Ainda mais pq eles nunca teriam condições de me por naquela escola. Ainda mais pq eu estudar ali era um alívio financeiro necessário para época. Ainda mais pq eles sempre fizeram questão de me dar a melhor educação possível e se eu saísse dali, só daria mais gastos. Ainda mais pq eu sabia que eles estavam decepcionados com minhas notas. Ninguém na coordenação e na escola me ouvia. Não importava o quanto eu pedisse por socorro.
Minha colega sumiu por quase um mês. Não apereceu na escola. Ninguém sabia onde tinha ido. A coordenação foi atrás dos pais. Mas não os encontraram. Após esse mês ela voltou. Ela tinha cicatrizes nos braços. E uma marca no pescoço. Tentei me aproximar MAS ela ignorava todo mundo. Um dia, após semanas atrás dela, na véspera das férias, a menina começou a chorar e me confessou tudo. O professor tinha “abusado” dela. O mesmo professor de inglês que sempre falava mal de mim na minha frente. Ele havia tocado em partes do corpo dela. E dito para ela que deveria aprender com quem andar, tido pq ela foi pedir para ele parar de gritar comigo. Ela ficou mal, se sentiu culpada. Tentou se matar. Ela disse que era tudo culpa minha. Que eu nunca me importava com os outros. Que eu era estranha. Que eu tentava pagar de destemida. Mas que destruía a vida dos outros. Nunca ouvia ninguém. E por isso todos tinham que pagar por meus erros. Era culpa minha.

Mas férias eu tentei fingir que tudo estava bem.  MAS uma semana antes das voltas as aulas, tive uma crise de choro desesperada implorando para não me levarem de volta até lá. Eu não queria ir até lá. Meus pais me transferiram de escola por conta da crise de choro.
Na escola seguinte, fiz amigos, não sem antes ter que trocar de turma uma vez. Na primeira turma as historias da escola anterior surgiram e ninguem quis ficar perto de mim. Mas depois, fiquei bem. Tinha um garoto que pegava no meu pé. Eu morria de medo dele, mas sempre enfrentava, dessa vez não estava sozinha. Eu morria de medo de decepcionar ou ficar sozinha com homens adultos. Eu detestava os colegas homens. Até com os meus amigos garotos da Igreja eu me recusava a ficar sozinha. Foi assim por anos, eu ia aos pouco ganhando confiança. No EM fui para uma escola mais conceituada. Várias pessoas chegaram a me perguntar pq eu parecia ter medo de garotos. Era inconsciente. Eu passei a repetir que não sabia ou não lembrava. Achei que se repetisse esqueceria. Com os anos fui superando. Hoje não tenho medo de homens. Nem de pessoas.
Minha confiança e vaidade vão surgindo aos poucos, acho que finalmente voltei a me achar bonita, a gostar do meu cabelo e sorriso. Mesmo assim, quando em meio a discussões alguém próximo repete uma das frases que mais me diziam, eu desmorono.
Em partes acho que ainda me sinto um pouco culpada.
Minha mãe tbm se sente culpada. Até hoje sempre ouve tudo que falo, pois se sente mal por não ter notado que eu tinha problemas. Nunca contei a ela a história toda.
Mesmo hoje não tenho muitos amigos. Sou bem fechada. Minha melhpr amiga se mudou para fazer faculdade nos EUA. Minha outra grande amiga esta preocupada com vestibular e namorado. As vezes me sinto sozinha. Saio pouco. Normalemnte para ir ao cinema com minha família ou a igreja no cilto dos jovens. Falo com algumas pessoas mas nao considero nenhuma um amigo, no maximo um colega. Tenho transtorno de ansiedade. Tento ser mais sociável, mas sempre morro de vergonha disso depois. Não sai natural e fico parecendo louca. Tanto que recentemente, passei por um Baque,  quando as pessoas de um clube literário que participo, falaram mal de mim, e uma amiga me mandou. Duas das pessoas que falavam eram muito amigas minhas e diziam que me achavam absurda, problemática,  que eu obviamente sempre mentia sobre tudo na minha vida. Que eu provavelmente nunca sofri bullying mas causei o ódio das pessoas por sempre pagar de perfeitinha.
Eu achava que estava curada. MAS foi nesse momento que notei que não era bem curada.  E realmente não sei como agir em frente à pessoas novas. Não sei puxar assunto. Não sei manter conversa. Quando me contam uma história, tento lembrar de algo que seja parecido, crie conexão. Agora parece que isso faz as pessoas pensarem que sou esnobe.
Mas acho que a marca mais real é: Eu sempre ouço todo mundo. Todo mundo mesmo. O problema de todos. Pq sinto que eu posso ser a pessoa que escutou é fez a diferença. Pq ainda me sinto culpada pelo que aconteceu com aquela colega no passado. Apesar de não evitar mais homens, não me sinto pronta para namorar. Passo grande demais, ainda. Não ligo se me criticam por isso. Só eu sei da história, mas acho que sinto medo que a pessoa se torne controladora e violenta como aquele menino.
Até hoje, toda vez que fico triste ou mal por alguma coisa, reclamo de qualquer detalhe me acho fraca. Afinal, olha por tudo o que eu passei. E mesmo o que passei, teve gente que sofreu muito mais. Não sinto que tenho direito de reclamar ou chorar. Por isso raramente choro, normalmente de raiva e na TPM.
Tento sempre estar sorrindo, e pronta para ouvir, é a primeira vez que me abro. Achei que escrever ajudaria. Acredito que é mais um passo para me libertar de vez do que aconteceu. Talvez essa cicatriz esteja mais dolorida por que na faculdade não é fácil. Acho que essas memórias foram ativadas por conta de uma matéria que reprovei e que prendeu tudo dos semestres seguintes, talvez pq o professor da matéria disse que se eu reprovava com ele era pq era burra e nunca aprenderia a matéria. Mas é a vida de quem estuda em faculdade estadual. Por incrível que pareça, pela primeira vez, essas palavras me fazem querer provar que eles estão errados. Pela primeira vez algo em mim acredita que é mentira.”

Gata, confuso viu? Não vou negar que me perdi algumas vezes na sua narrativa e achei o texto inconcluso. Que pessoas são essas que você atrai e que tanto falam mal de você? Tanto na infância quanto na vida adulta, o que percebi é que você sempre é julgada por algum motivo. Vou fazer uma pergunta difícil: você já tentou analisar seu comportamento de FORA? Olhe bem, não é para se sentir culpada, mas é para analisar. Você tem MUITOS traumas e sabe de cada um deles. Foi o que eu falei ontem aqui no blog, nós, pessoas que temos essa facilidade de enxergar onde estão os problemas, as vezes somos teimosas em achar que não precisamos de ajuda. Uma moça comentou: tem poeira por baixo do tapete que a gente não ve! E isso me fez pensar… será que conseguimos REALMENTE entender o porque de tudo o que nos acontece? Você já tentou terapia? Hipnose? Alguma coisa vai ter que te libertar desse passado que tanto se repete em sua vida e te atrapalha. E não tente ser forte custe o que custar. Você pode ser fraca, pode chorar, pode pedir ajuda!

Chora 03 – Alpha

“Cony, adoro os choras e seu blog, leio diariamente!

Então meu chora acredito que seja um tabu entre os homens e por isso está sendo difícil pra mim lidar com ele. Namoro há 2 anos, e nesses dois anos de namoro a nossa vida sexual não é mto ativa, transamos no máximo duas vezes por semana, eu sempre gostei mto, mais tenho perdido a vontade, pq ele demora mto para ejacular, ficamos meia hora, 40, 50 minutos transando e isso me deixa cansada, sem lubrificação, me machuca e no final ele goza somente se masturbando, tentei entrar no assunto uma vez e ele ficou bravo, disse que foi sempre assim, que é normal dele. Pesquisando na internet li sobre ejaculação retardada, que é uma disfunção que pode ser tanto emocional quanto algo que está em desajuste no organismo, sem falar que toda essa demora me causa quase sempre infecção urinária.

Ele me cobra mto que temos que transar mais, que essa falta de sexo vai acabar com nosso namoro, mais toda vez que tento entrar no assunto da demora de ejacular ele desconversa. Não sei como abordar isso, pq realmente não estou satisfeita.

Alguém já passou por isso? Como resolveu? Preciso de ajuda.

Obrigada!”

TENSO! Pelamor 50 minutos de rala e rola não tem pepeca que aguente! Imagina isso todo dia? Sexo não pode ser tortura, tem que ser prazeroso então você está coberta de razão de não estar curtindo do jeito que está! Ainda mais desencadeando uma infecção urinaria! Tá certo não miga, bora falar com esse homem do jeitinho que você contou aqui pra gente. Fala que não está gostoso pra você, que está te machucando e que adoraria que ele procurasse um medico para saber o que esta acontecendo. E se ele desconversa quando você tenta falar com ele, é porque ele SABE que você tem razão. Fale tudo, de uma vezada só e se não tiver jeito, miga, respira fundo e sai dessa. Não leve isso pra sempre ou se conforme com a situação. Não é para ser assim não!

  • Choras fechados! Quando liberar aviso aqui!
LifestyleComportamento
Bem Estar, Cotidiano
02 abr 2019, 140 comentários

Ansiedade

Como queria escrever sobre isto e conversar com vocês… Tenho visto tanta gente reclamando da mesma coisa até que percebi que eu era uma delas mas não “aceitava”.

Deixa contar um pouco sobre mim. Pra quem já me conhece há mais tempo, deve ter percebido que sou muito clara e objetiva em relação a tudo. Não sei explicar mas eu tenho uma visão muito límpida das coisas, costumo ser bem sensata e realista. Ok, não é 100% do tempo, mas na maioria das vezes consigo avaliar bem uma situação sem muitos ruídos. Acho que esse é um dos motivos que não faço terapia, porque sei exatamente tudo o que se passa comigo e de onde se origina. Apenas fiz terapia duas vezes na vida e durou coisa de 2 meses cada, que foi quando terminei um namoro de 15 anos e depois quando terminei outro relacionamento. E a terapia não foi para me fazer enxergar que não era o fim do mundo, ou que haveriam outros namorados com certeza, ou me reafirmar de alguma coisa. Acontece que eu fico TÃO chata quando termino namoro que acho que ninguém aguenta minha ladainha, por isso vou pra terapia para alguém ouvir as infinitas e intermináveis lamentações que ficamos viciadas em repetir quando levamos uma rasteira emocional.

Ok, mas não sou fodona assim. Eu tenho MUITOS defeitos, alguns bem chatos e tenho plena consciência deles. Tento trabalhar para melhorar, mas eu comigo mesma. Eu sei o que é, porque e quando acontece. E eis outro defeito meu, controle. Ou pelo menos, me preocupar apenas com o que posso controlar. E se eu sei que posso controlar, eu controlo. Se acho que não consigo, me afasto e deixo as coisas se resolverem por si só. E nesse cenário algumas coisas começaram a me atrapalhar, meu auto controle começou a sumir. Acredito que nossa mente comanda muita coisa na nossa vida e no nosso corpo, por exemplo, já tive MOMENTOS depressivos, mas aquela falta química que tem que ser remediada, nunca tive. E quando tive momentos de tristeza profunda, me permiti sofrer, mas sempre por um tempo curto e depois me forcei a sair disso. Até aí tudo bem.

Só que um dia comecei a não ter mais controle sobre mim. Comecei a ficar nervosa a toa, a ter palpitações no peito que não paravam nem com a “força do meu pensamento”. Comecei a sentir falta de ar, sentir a boca adormecendo, ficar tonta, mão gelada, achar que ia desmaiar e tudo isso sempre que estava “esperando” algo. E essa espera poderia ser uma fila de banco, um atendimento com senha, esperar alguém chegar, esperar minha vez de falar ou me apresentar em público. Coisas até então super rotineiras e comuns em minha vida.

Então tive que aceitar. Conheci a primeira “pessoa” que conseguiu tirar meu auto controle: a ansiedade.

Obviamente que as primeiras vezes que passei por isso, que tive esses sintomas, achei que era bobagem, que era por algum motivo pontual e que não aconteceria mais. Só que o negócio foi se repetindo, e cada vez, com uma novidade. Tipo, antes era só coração pulando pra fora do peito. Depois começou a ser o coração pulando e a boca adormecida. Depois o coração, a boca e a mão gelada. E por ai vai, adicionando sintomas até que teve um dia que eu achei que iria morrer. Estava em San Pedro de Atacama, acordamos bem cedo para fazer um passeio, tudo normal, como sempre. Quando entrei na van, comecei a ficar apavorada. Não conseguia respirar, minha vista embaçou, meu coração disparou. DO NADA! Fiquei realmente desesperada sem conseguir respirar, por mais que eu tentasse ritmar a respiração e enfiar na minha cabeça que não tinha nada de anormal ou diferente ali, eu não conseguia me livrar daquele pânico. Tive que descer da van, respirar fundo e me acalmar. Leo perguntou se eu queria cancelar o passeio mas eu não quis. Poxa, porque me deu aquilo??? Não sou disso! E só pensava numa coisa: será que isso é a tal síndrome do pânico? Porque o que eu senti, foi isso, pânico.

Me bateu um terror de acontecer a mesma coisa no avião ou nas viagens de ônibus que ainda tínhamos pela frente. Vocês não imaginam minha tensão cada vez que tinha que entrar em algum lugar fechado onde eu não poderia sair a hora que quisesse. Foi aí que a ficha caiu: isso é sério e tem que ser tratado.

Voltei de viagem, graças a Deus não tive mais episódios assim, achei que tinha sido esporádico, talvez não fosse tão grave, que sim teria que ir ao médico mas poderia esperar. Até o dia que fui buscar minha mãe no aeroporto em SP. Ela veio me visitar e eu fui até Guarulhos fazer uma surpresa pra ela. Enquanto esperava ela aparecer, juro que achei que iria ter um treco. TODOS os sintomas que mencionei acima, eu senti. TODOS, e até mais, vi bolas brancas flutuando. De novo, aquela aflição, aquele desespero, aquela sensação ruim e totalmente sem controle.

Não tem mais como negar né? Sofro de ansiedade. Qual delas, qual tipo, qual grau, não sei, porque até hoje não fui ao medico. Tenho muito medo de ter que usar remédios fortes e ficar lesada por isso estou tentando outras alternativas como por exemplo aromaterapia com óleos essenciais. Ganhei um colarzinho que é um difusor pessoal, super fofo, e pingo óleo nele todos os dias para ter um dia tranquilo e sem stress. Até hoje não tive mais crises, mas também não sei se é assim mesmo, se tem frequência, se de repente do nada vou passar por isso de novo. Também não provoquei situações estressantes, aliás, falei em publico esses dias, deu um nervoso mas passou. Consegui falar com coerência e passar o recado. Para mim, ansiedade era aquela preocupação pelo que não aconteceu ainda, aquela euforia pré viagem ou aquele frio na barriga de uma situação nova que está para acontecer, mas descobri o lado feio da ansiedade, o pânico, os sintomas físicos, a falta de auto controle. Enfim, tudo ainda é muito novo pra mim e confesso que a minha teimosia/controle ainda insiste em tentar me convencer que eu dou conta. Algumas leitoras já me alertaram que ansiedade não tratada vira síndrome do pânico e claro que não quero isso.

  • Quero saber de vocês. Experiências, tratamentos, cura… Quero saber onde estou me metendo, com o que estou lidando e como é essa tal de ansiedade. Conversa comigo??