14
Mar 2018
Chora Que Eu Te Escuto!
Chora Que Eu Te Escuto

As choradeiras estão ficando tensas, até caso oculto tivemos semana passada por se tratar de um assunto polêmico. Como será hoje?

Chora 01 – Caramelito 

Adoro seu blog e sempre quis mandar meu caso pra cá, até que vc disse que tava aberto e criei coragem. E o seguinte minha mãe é uma pessoa maravilhosa, mas como todas as pessoas ela possui alguns defeitos que me incomodam e não sei como ajudar.

Ela tem muito problema com dinheiro e mentira, gasta mais do que tem e sempre menti a respeito de alguma situação e até por coisa bem bobas, desde que me entendo por gente uns dos problemas da nossa família é esse, inclusive a separação do casamento dos meus pais.

Ela faz empréstimos em nome de outras pessoas, sempre gastando mais do que pode. Ocorre que dessa vez ela fez isso e pegou uma quantia relativamente alta e umas das formas de pagar e vendendo um bem imóvel dela, mas como todos sabem o mercado não está fácil e não estamos conseguindo vender. Então meio que estou controlando as contas de casa e pagando parte delas, o que não acho que seja errado pois se moro e posso ajudar mais do que minha obrigação. Acabou que invertemos os papéis sabe? Sempre estou procurando alguma pista nas coisas dela pra ver se ela não está fazendo nada de errado, fico no trabalho ligando pra ela pra ver se descubro algo, enfim uma loucura.

Ocorre que esse problema me atormenta de tal forma que fico sem dormir e isso afeta meu humor em todos os sentidos da minha vida (trabalho, estudo,  namoro, tudo) e sempre discutimos por conta disso. Procurei uma ajuda psicológica pra ela, e ela desviou disso e a psicóloga sugeriu que eu fosse a psicóloga para saber como lidar com a situação, só que agora não posso pois como as contas estão justas a prioridade é acertar as contas de casa. Mas já estão nos planos assim que as coisas se acertarem.

Então fico nesse impasse e super ansiosa de mais problemas surgirem. E também em breve devo sair de casa, pois já namoro há algum tempo e vou me casar, fico com um sentimento que estou abandonando ela com os problemas, como se eu fosse tão egoísta a ponta de não ajudá-la. Mas também não posso viver apreensiva todo dia esperando qual será a próxima bomba.

Grande parte desses descontroles dela era arcado pelo meu avô que acaba “acobertando” essas atitudes que infelizmente faleceu esse ano. Agora não temos mais ele é não sei o que me espera pela frente. Será que sempre Vou sempre viver nessa angústia? Estou completamente perdida. E ainda como toda briga que envolve pessoas está ligada à dinheiro os irmãos da minha mãe ficam doidos com essas coisas e me fuzilam de todos os lados falando dela. E eu fico no meio de tudo isso tentando sobreviver e ter uma vida normal. Se alguém puder me dar uma luz, agradeço de coração.

Caramba… miga não entendo muito disso, mas não tem como você intervir a ponto de você controlar o dinheiro dela? Não sei se é muito forte, mas acho que tem como declarar ela incapaz (posso estar falando uma grande bobagem, mas já vi caso em que os filhos tomam conta do dinheiro e do patrimônio dos pais em casos de doença mental por exemplo). Acho que terapia não é o que vai solucionar o problema AGORA mesmo pela falta de condições financeiras e por sua mãe burlar o tratamento. Talvez seja o momento de algo mais duro com ela… Procure saber mais sobre essa possibilidade!

Chora 02 – Rosabaya

Oi Cony, tudo bem? Quero fazer um relato hoje, depois de ler tanto sobre relacionamentos abusivos por aqui e por estar exatamente nesse momento pesquisando sobre meu primeiro vibrador, aos 32 anos.

Estive num relacionamento amoroso por quase 9 anos (6 de namoro e 3 morando juntos), sendo que ele foi o meu segundo namorado e primeiro homem que transei. Eu sempre achava o sexo no geral entediante e ruim, mas sempre me culpava pois diversas vezes, mesmo falando isso pra ele, ele dizia que a culpa era minha, que eu tinha que me masturbar mais e etc etc. Já teve diversas vezes de eu transar sem vontade, dizer que não queria e acabar cedendo por medo dele “me largar” como ele sempre dizia que faria já que ele falava que parecia até que eu nem gostava e então ele teria que procurar fora. Fora outras vezes de eu estar dormindo e ser acordada com ele me penetrando e eu puta, brigava e acabava cedendo (até depois, mais emponderada, vi que era um estupro marital). Além disso, teve uma vez dele querer muito sexo anal e eu falar que não queria e nem sentia que era a hora de tentar. Ele insistiu, eu briguei, ele ficou tão puto e brigou comigo que virou pro lado e disse que não queria transar mais. Aí eu me sentindo culpada, afinal eu tinha que transar com ele (na minha cabeça) e engolia a raiva e insistia pra ele transar comigo, mesmo eu não querendo, mas por achar que eu tinha essa obrigação já que ele queria.

Me separei há 1 ano (por iniciativa dele e hoje dou graças à Deus!) e foi quando comecei a me relacionar com outras pessoas e descobri o sexo casual. Morria de medo dele. E na primeira vez transando com um recém conhecido que eu havia ficado umas duas vezes, quebrei meu bloqueio de que não podia “transar assim tão rápido” e foi a primeira vez que gozei. Com alguém que eu conhecia há pouquíssimo tempo, sem nenhum grande esforço. E ali eu fiquei tão feliz pq percebi que eu não era frígida que mandei um áudio pra minha melhor amiga pra contar. Sim, eu achava que tinha alguma problema pq não era possível transar 8 anos com alguém e nunca ter gozado e nem ter curtido o sexo como via muita gente curtindo.

E meu relato do relacionamento abusivo só está no âmbito sexual. Ainda existiam as situações de agressões verbais quando ele estava nervoso por qualquer coisa e descontava em mim, quando ele me diminuía sempre, quando eu sempre “pisava em ovos” com medo dele “explodir”. Tantas coisas e eu no fundo sabia que era abusivo mas nunca tive coragem de terminar. Por isso agradeço à Deus e à ele por ter se separado de mim, pois eu voltei a ser quem eu era: uma pessoa alegre! Tenho meus percalços, ainda estou na vida de solteira aprendendo a paquerar, saber como lidar com tudo isso e quem sabe encontrar alguém pra dividir a vida comigo mas de maneira leve e contributiva. Tive ajuda dos meus amigos íntimos, da minha família e da minha psicóloga. Sem eles eu estaria no fundo do poço! Mas estou aqui: feliz com o que aprendi ao longo desse um pouco mais de 1 ano solteira, com a pessoa que me tornei e com o que percebi que quero pra mim em termos de relacionamentos.

O meu intuito é mostrar que a gente acaba se acostumando com relacionamentos abusivos, ruins e unilaterais, sexo ruim e sem prazer e acha que tem que ser assim. Que merece isso. Que nunca vai conseguir nada melhor. Ou que vai ficar sozinha pois “ah mas tem o lado bom”. Não tem! O lado bom não compensa minimamente nada disso.

Hoje aprendi que gosto muito de sexo, estou com vontade de sempre me conhecer mais sexualmente, que há diferença de química, de homem pra homem e que quando você aprende tudo isso, percebe que você pode também ter prazer no sexo, ah! isso é libertador!

Beijo grande e obrigada pelo espaço e por sempre compartilhar tantas histórias inspiradoras <3

Tive vontade de vomitar quando você contou do estupro!! MEU DEUS COMO PODE ISSO??? Que maldito!!!!!! Sinto muito pelo que aconteceu com você e agradeço enormemente seu depoimento pois ele pode ajudar milhares de mulheres que estão passando pela mesma situação e não tem coragem de sair fora ou que ainda arrumam desculpas para não separar. MULHERES, SER COAGIDA NAO É NORMAL. FAZER POR OBRIGAÇÃO NAO É NORMAL. SER AMEAÇADA NAO É NORMAL. VOCES NÃO TEM CULPA DE NADA! TER MEDO DO SEU PARCEIRO NAO É NORMAL!!!! E cá entre nós, estou achando LINDO esse monte de gente se abrindo e contando seus casos de relacionamento abusivo. Isso é mais comum do que se imagina e jamais pode ser considerado algo normal. As coisas estão mudando!

 

Quando o marido de Sunetra forçou ela a fazer sexo, algumas pessoas falaram que não tinha nada de errado nisso e que era o dever dela, como esposa, servir ele bem. Sunetra, seu marido não é seu dono e casamento não dá o direito de ele de violar sua dignidade. Sexo forçado é estupro, e é SEMPRE ERRADO.

Chora 03 – Livanto

Olá Cony! Eu te acompanho há muito tempo e agora preciso de conselho, estou muito infeliz com minha vida, com os rumos que ela tomou e não sei por onde começar a mudar.

Fui mãe muito jovem e precisei abandonar minha carreira porque tenho uma filha deficiente. Eu a amo, é a minha maior benção, fiz e faço tudo que posso por ela. Reconheço que foi uma escolha deixar tudo pra acompanhar seus cuidados de perto, muitas optam por não ter filhos ou tê-los muito mais velhas. Porém, hoje eu me sinto presa a essa decisão porque a maternidade não me satisfaz, me sinto inútil, sem talento e muito deprimida.
 
Fiquei tanto tempo fora do mercado que não consigo voltar. Tem sido longos anos de portas fechadas, seja pelo tempo que fiquei sem atuar, seja por ter filho, ainda que hoje eu consiga auxilio para cuidá-la quando eu estiver fora. Aliado a isso, aceitei muita coisa da família do meu marido, eles me humilhavam demais e sempre deixaram claro que preferem a ex mulher. Com medo de não conseguir me manter sozinha sem trabalho e com filhos, sendo uma com despesas extremamente altas todo mês, fui aceitando jantares, passeios e até viagens junto com ela com a desculpa que era pra manter o filho deles próximo. Anos sorrindo na frente das pessoas e aguentando ela em todas as festas familiares, à ultima na semana passada. Até hoje, 15 anos depois, ele ainda não se divorciou da ex mulher alegando que não quer dividir os bens e eu me sinto uma pessoa horrível por ter aceitado. Meus pais não se conformam que eu viva com alguém por tantos anos no papel de concubinato (amante judicialmente falando), dizem que não vão se meter nas minhas decisões mas morrem de tristeza.
 
Todos os dias penso em ir embora, deixar tudo e tentar uma bolsa de doutorado no exterior ou simplesmente trocar de profissão e recomeçar. Meu marido é o amor da minha vida mas estou infeliz, estagnada profissionalmente e cansada da vida doméstica. Sempre fui fiel e dedicada ao casamento porque acredito no ideal do matrimônio, na decisão de ficar com alguém na monogamia. Porém, conheci alguém por acaso e te juro que tenho controlado a tentação de ser infiél até em pensamentos.
 
Sinto que me falta paixão, não quero depender de homem a minha vida inteira, preciso olhar pra trás e ver que construí alguma coisa com meu próprio esforço, que fiz algo por mim também e isso parece algo muito distante. Me faltam forças pra nadar de volta antes de me afogar em depressão.
Por favor, me ajude, não sei o que fazer.

Senti um nó na garganta ao ler seu relato… quanta tristeza e dá para sentir de longe sua angústia!!!! Primeiro: você diz que ele é o amor da sua vida, mas será que você é o amor da vida dele??? Um homem que permite que a ex se relacione tão estreitamente com vocês??? Se ele realmente te amasse, te respeitaria e colocaria limites para a ex! Pensa nisso! Um relacionamento feliz, um amor verdadeiro, é bom quando é RECÍPROCO! Você é guerreira! Tá ao lado dele, está completamente dedicada a vida de esposa e mãe de uma criança deficiente o que não deve ser nada fácil! Onde está você nesse meio todo??? VOCÊ, SUA PESSOA, O SEU AMOR PROPRIO, onde está??? Está perdida no meio de uma família (dele) que te diminui, te ignora, te despreza, um marido que não te respeita, que te expõe, que não te protege??? Está em cuidar da casa de VOCÊS, dos filhos de VOCÊS??? Onde VOCÊ esta??? Novamente, casamento é acordo de reciprocidade. Juntos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza. Está sendo assim???? Pense muito, não se anule mais. Você diz não querer depender de homem a vida inteira e eu te digo, VOCE NÃO DEVERIA TER DEPENDIDO DELE NUNCA! Mas dá tempo de reverter isso, e só depende de você. Se imponha, coloque seus limites na relação, seja forte, seja você a dar as regras do jogo que ele topou jogar com você! Se ele quiser continuar e respeitar você, ótimo. Caso contrário, levanta a cabeça e vá reconstruir sua vida (aliás, faça essa reconstrução pessoal JÁ, com ele ou sem ele)

 

  • Choras abertos. Mandem suas angustias, dúvidas, problemas para constanza@futilish.com e no assunto coloque: CHORA QUE EU TE ESCUTO. A gente pode não resolver, mas garanto os melhores conselhos da internet (e não falo dos meus, mas sim das leitoras mais solidarias, sensatas, maduras e inteligentes da blogsfera)