11
Apr 2017
Chora Que Eu Te Escuto!
Chora Que Eu Te Escuto

Quanto tempo sem choradeira? O que será que temos hoje?

Caso 01 – Flaminga

Vou direto ao assunto: como a gente lida com os agregados que vëm no pacote das pessoas que a gente ama? Tenho essa dificuldade com alguns namorados de amigas, cunhadas e amigos do namorado. Não sei lidar com carinho e alegria com pessoas muito diferentes de mim em questões essenciais como valores, posicionamento político e preconceitos. Minhas cunhadas são muito patricinhas, meio fúteis, aquele tipo de mulher que se acha a princesa a quem todos devem servir.  Os amigos do namorado são super coxinhas, só falam de dinheiro, fazem piadinha sobre gays (em 2017) e chegaram a achar graça de uma vem que fizemos uma viagem de önibus. Tem namorado de amiga que tem o Bolsonaro como ídolo e pra mim já pode parar por aí. Eu reconheço que eu não sou fácil, tenho poucos e os mesmos amigos desde sempre, tenho uma formação em humanas sempre muito politizada e militante e não dou conta de não me posicionar sobre o que eu escuto. Eu acredito que a gente  já é obrigado a fazer muita coisa na vida, tem que lidar com gente mala no trabalho, na família, seguir regras, pagar as contas então, na esfera do amor e das amizades, as escolhas devem ser mais livres . Esse é o meu ideal, mas eu sei que meu namorado e minhas amigas ficam chateados pelo meu desinteresse nas pessoas que eles gostam. Eu não sei fingir ou genuinamente despertar meu interesse pra gente que não me cativa, mas não quero magoar as pessoas que eu amo, como faz?

Menina você deve ser muito chata. Seja simpática! Se esforce! Não seja a dona da razão o tempo todo e nem queira convencer os outros sobre seus ideais. Cada um é cada um, ué! A mulher é patricinha? Deixa ela! O cara curte o Bolsonaro? Deixa ele! CADA UM COM SUAS ESCOLHAS. Pense numa coisa, quando o problema se repete nos outros, é BEM provável que o problema seja VOCÊ! E você sabe disso. Ter empatia é bom viu?

Caso 02 – Ema

Oi cony! Tudo bem? Este é o meu chora. Tenho 23 anos e moro com meus pais que são super tradicionais em alguns aspectos. Eles acreditam que uma moça deve casar virgem, só assim o casamento irá ser perfeito. Vivem fazendo piadinhas como “fulana foi pra lua de mel, mas o mel já foi embora há tempos”. Fico absurdada com tal tipo de pensamento, sempre lembro a minha mãe o quão machista isso é. Em outras esferas eles são pessoas maravilhosas, acreditam no meu sucesso profissional, acham que a mulher deve ser independente financeiramente, etc etc. Sou solteira e eles apoiam que eu saia, conheça pessoas, não me amarre ao primeiro homem que aparecer. Tudo isso chega a soar contraditório né? Pois bem. Agora vem o pior. Tive meu primeiro namorado aos 15 anos. Era muito apaixonada por ele, do tipo que chorava largada pelo sujeito kkkk não sei se foi por ver essa paixão toda, ou simplesmente por  querer se impôr mesmo, meu pai sempre me chamava pra conversar sobre o namoro. Nestas conversas (sempre com minha mãe junto); ele falava que era pra eu ficar só nos beijos, que se ele descobrisse que eu estava fazendo outro tipo de coisa(sexo) ele me colocaria para fora de casa; pois ele não sustentaria mulher de outro homem embaixo do teto dele. Que se eu me envolvesse com sexo, perderia as chances de sucesso profissional, pois uma menina nova não poderia pensar em sexo, apenas em estudo. Imagina ficar grávida? além de tudo, o “pior”: a vergonha de casar “sem o mel” (meu Deus que ódio dessa palavra kkkkk). Enfim, hoje eu sei o quanto isso era absurdo. Olho para trás e sinto pena daquela menininha ouvindo esse tipo de coisa(é claro que meu pai deveria ter conversado, mas precisava ser assim?). Mas, até hoje essas palavras ecoam na minha cabeça. Infelizmente somatizei isso da pior forma possível. Tive um medo terrível de sexo por muito tempo. Depois desse primeiro namorado (que não rolou sexo, obviamente); tive outro de dois anos e também não consegui fazer com ele. Fiquei solteira e assim estou até hoje. Fico com os caras e quando sinto que está na hora de avançar o sinal me dá uma coisa ruim, uma insegurança, um medo inexplicável. Minha primeira vez rolou ano passado aos 22; fui tomada do sentimento de ser a última virgem existente no mundo e precisava passar desta etapa. Não foi bom, muito pelo contrário. Foi muito doloroso (fisicamente falando) e o cara era um babaca, escolhi muito mal. Tudo isso somou para eu querer ficar mais longe ainda de sexo. Depois de 11 meses, achei que estava pronta e rolou de novo. Não gostei. O pior é que após o ato eu fico noiada pensando em riscos de gravidez(mesmo não havendo teoricamente risco algum) e em como o rapaz irá me olhar a partir disso. A inexperiência também me aterroriza.

Até outras coisas que não sejam a transa em si, mas oral e masturbação, eu tenho medo. É claro que tenho minhas necessidades e vontades, mas sempre me controlo ou no último dos casos me viro sozinha. É muito frustrante saber que aos 23 anos eu não tenha liberdade para viver o sexo com outra pessoa. Duas transas na vida. As pessoas nem imaginam isso, pois sou do tipo que sai, curto a noite; trabalho,  viajo, muitos amigos, etc. Como superar esse medo? Como esquecer coisas que ouvi há oito anos atrás? Como me soltar?

Por favor meninas, me deem conselhos! Outra coisa que me incomoda muito é não poder conversar sobre isso com minha mãe. (Mamães que estejam lendo o post, sejam amigas de suas filhas! Nós precisamos muito de vocês!)

Não sei te indicar mais nada além de terapia! Não será conversando com uma amiga, nem com sua mãe que as coisas que seu pai te disse irão se apagar da sua memória. Tem que tratar a cabeça mesmo…

 

Caso 03 – Garça

Você não imagina como eu queria que esse fosse um chora falando apenas de um termino, uma confissão de uma traição ou ate mesmo uma grande desilusão profissional.
Rescrevi esse texto várias vezes e acho que eu nunca fui tão sincera comigo mesma.
Vamos lá, tenho 24 anos, estudo engenharia numa conceituada escola do rio de janeiro, a melhor, já trabalhei como modelo, desde os meus 15 anos tive todos os caras que quis sem exceções. Posso dizer que ja fui realmente amada, via nos olhos deles (3 caras), trai todos , eles nunca souberam e eu não sei por que eu os trai , eram pessoas maravilhosas que trai com pessoas detestáveis, detestáveis mesmo, no sentido puro da palavra, pessoas que eu sabia que eu não queria para a minha vida.
Nesses últimos tempos eu consegui um intercâmbio ( O intercâmbio, era o que eu mais queria na vida, estudei muito, me esforcei, lutei com unhas e dentes… consegui) hoje estudo numa faculdade bem conceituada na frança , era o plano, fiz essa promessa pro meu pai, ele foi embora quando eu tinha 18 anos. Prometi que seria a melhor engenheira possível, na época nem engenharia eu cursava.
Já tive minha fase festeira, saia de casa na quinta e voltava na segunda, o telefone não parava, tinha vários « amigos » , conheci muita gente transitei por todos os meios sociais existentes. Sempre fui muito adaptável posso ser aquilo que quiser, entendo que a vida é uma grande atuação e somos nos que escolhemos nossos papeis. Na minha cabeça não existe isso de destino, a gente faz as coisas acontecerem.
Entretanto, eu nunca fui feliz, entenda, eu tenho a « vida perfeita », sou bonita, hoje em dia ninguém da minha família tem algum problema de saúde , temos uma condição financeira legal,eu viajo todo mes pra algum lugar diferente, estou na faculdade que eu « queria », tudo pra ser feliz ne ? Porem não sou, simples assim, me sinto sozinha, sem identidade, não sei do que eu realmente gosto ou o que eu estou apenas me adaptando (fingindo gostar) e isso me da uma agonia enorme. Meu namoro de 3 anos acabou tem um mes e ate agora eu não sei se eu estou triste ou não. Sabe eu o trai , eu tinha plena consciência que eu não era totalmente feliz com ele mas tem dias que eu chego em casa e choro choro choro que a única coisa que faz eu parar de chorar é me cortar, é isso mesmo que voce leu, eu me corto, tinha esse habito quando tinha 15 anos e agora ele voltou. Meninas, nunca façam isso, é uma droga de verdade, você pode viciar e não parar mais.
Concluindo, tenho tudo pra ser feliz, mas não sou , sou racional, digo pra mim mesma todos os dias, que eu não tenho o direito de ser triste, não tenho direito de me sentir assim mas eu me sinto. É um vazio enorme que nada nem ninguém preenche. Acho que eu deveria acrescentar que desde que eu me conheço por gente eu não queria estar aqui, é isso mesmo, eu sempre quis deixar de existir, ou simplesmente morrer. Esse um pensamento que eu posso tentar sufocar, enterrar , confrontar com a minha racionalidade mas ele não vai embora, não me larga. Sinceramente não sei mais o que fazer, fui em duas psicólogas mas não deu certo, não rolou. 

( Ps so pra geral aqui não achar que minha vida é uma mar de rosas e que eu estou de mimimi:
Aos 15 eu sofri abuso sexual do meu primeiro namorado, minha família numa soube, fui contar para a primeira pessoa 1ano depois;
Aos 18 eu perdi meu pai, nos éramos muito próximos ;
Aos 19 eu tive que remover um seio pois tinha 7 nódulos, eu ia perder o plano de saúde do meu pai e o medico me aconselhou a retirar por prevenção;
Minha mãe nunca tentou me entender nem nunca me deu muito carinho / atenção, ela diz não ter recebido na infância
Já tive problemas com antidepressivos era viciada, ja passei mais de 48h dormindo sem levantar da cama.)

Olha eu tentei resumir muito, de verdade, posso contar milhões de historias da minha vida mas não é esse o objetivo. No fundo eu só quero ser feliz, me sentir bem comigo mesma, com as minhas escolhas e ter paz. Por favor não me peça ir numa psicóloga , agora nem se eu tivesse dinheiro eu poderia( minha mae tem horror de psicólogas e não apoia, logo não paga), a não ser que vocês conheçam alguém que atenda por skype

Amiga, você está com depressão. Não racionalize isso, você precisa de ajuda SIM! Li um pouco sobre automutilação e ao se cortar, você não quer se matar, você está lidando com sua dor emocional, pois a dor física supera a dor da alma que tanto te machuca.

“O automutilador tende a ter grandes dificuldades para se expressar verbal ou emocionalmente, portanto, não consegue falar publicamente sobre suas angústias nem chorar diante de outras pessoas. Essa dificuldade de expressão acaba, em muitos casos, sendo um forte fator que desencadeia o comportamento automutilador. Alguns indivíduos afirmam que escrever (textos, poemas, contos, músicas, etc.) lhes parece de grande ajuda, como uma forma de expressar suas emoções, o que não conseguem fazer de outras formas. Desse modo, a necessidade de se automutilar diminui significativamente.”

Tente expressar suas emoções de outra maneira, tal como diz o texto acima. Já pensou em escrever um diário, ou um texto, cada vez que tiver vontade de se cortar? E por favor, procure ajuda médica sim… não falo de terapia, falo de psiquiatra mesmo. Você está precisando MUITO! Depois volta aqui e me conta como você está? De verdade, estou preocupada com você…

  • Choras abertos. Sem casos adolescentes de bofes que somem, que ficam com outras e depois querem voltar, de casos tipo “não sei de quem gosto, do fulano ou do beltrano”. Vamos falar sério agora. Email para constanza@futilish.com e no assunto favor colocar CHORA QUE EU TE ESCUTO.